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Como a Escola Desbancou a Ilusão das Apostas Online

A chegada de um educador a um novo projeto de leitura e cidadania costuma ser um processo de passos graduais. No entanto, quando a competência e a clareza pedagógica entram em campo, os resultados aparecem de imediato. Esse é o caso da professora Any Faigle Soares, que estreou no projeto Ler e Pensar com as turmas do 4° ano (manhã) – EF, da Escola Municipal Ipê, em Almirante Tamandaré (PR), e já consolidou uma prática muito significativa ao aplicar de forma integrada o Combo da Copa do Mundo do Ler e Pensar.

Etapas de Aplicação com os Materiais do Ler e Pensar / Acervo do professora Any

Intencionalidade em Campo: Literatura e Realidade

O trabalho foi estruturado com uma linha de planejamento impecável, conectando a paixão esportiva ao desenvolvimento de leitores críticos e conscientes. A docente Any iniciou a sequência utilizando os slides do projeto para ambientar historicamente os estudantes sobre a evolução das Copas. Em seguida, acionou o quadro Leitores em Ação com a projeção e debate da obra “Eu não gosto de balé”, de Patrícia Barbosa, utilizando o universo do futebol para discutir escolhas, quebra de estereótipos e caminhos de vida.

O Debate Necessário: Mídias e Apostas Online

O grande destaque da prática foi a capacidade da professora de usar as notícias da Gazeta do Povo, por meio das Dicas Pedagógicas do Ler e Pensar como ferramenta de intervenção social. A partir da leitura do artigo “Brasil na Copa do Mundo 2026: grupo, jogos e datas”, a docente puxou para o centro da roda um tema extremamente pulsante e desafiador no cotidiano das famílias: o impacto das apostas online e dos jogos de azar baseados em algoritmos.

Para dar concretude à discussão, Any transformou a teoria em uma vivência matemática e comportamental:

  • A Simulação Prática: Utilizando uma caixa de sapatos com a estampa de uma marca que remetia ao lúdico do “tigrinho”, ela simulou rodadas de apostas com valores simbólicos de R$ 2,00 a R$ 10,00, a partir de peças de madeira.
  • A Consciência Financeira: Na terceira rodada, o comportamento dos estudantes mudou de forma autônoma. Muitos perceberam o risco e decidiram parar de apostar para não perder o “dinheiro”, enquanto outros foram até o fim e zeraram seus saldos.
  • O Aprendizado Matemático: A atividade serviu de base para contas reais de subtração, onde cada estudante precisava gerenciar seu saldo inicial de R$ 30,00, calculando o que perdia para a “banca”.

Desmascarando a Plataforma

Ao final da dinâmica, os estudantes calcularam de forma coletiva o montante total arrecadado pela “plataforma” simulada. O quadro negro registrou detalhadamente os valores recolhidos, totalizando aproximadamente R$ 282,00 que ficaram retidos com a banca.

A reação de indignação dos estudantes ao verem que a plataforma quase sempre ganha foi o gatilho perfeito para trabalhar a ansiedade, o consumo midiático consciente e os riscos do vício. Os estudantes debateram os relatos familiares e compreenderam, por meio da lógica e da matemática, que a ilusão do dinheiro fácil esconde mecanismos desiguais.

Trocas, Reconhecimento e Parceria

A professora Any ampliou sua atuação na escola, à medida que compartilhou o encaminhamento com pares pedagógicos de outras turmas que puderam aproveitar e também aplicar as propostas, ou seja, a rede de troca e mobilização se estendeu para além da turma do 4º ano da manhã, também foi aplicada nas turmas do 4º ano da tarde!

Parabenizamos a professora Any Faigle Soares por conduzir com tanta maestria um debate tão urgente e complexo, demonstrando uma intencionalidade pedagógica brilhante logo em seu primeiro com o Ler e Pensar. Por meio de práticas corajosas e conectadas com a realidade como esta que o Ler e Pensar se constrói e se fortalece diariamente. Obrigada por inspirar nossa rede e por ajudar a formar cidadãos conscientes e preparados para os desafios do mundo contemporâneo!

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