A saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher, anunciada na noite de terça-feira (30), deixa um vácuo não apenas na representatividade feminina da legenda como também no Partido Liberal como um todo. Ainda mais em ano eleitoral.
Desde que assumiu a presidência do núcleo de mulheres do PL em 2023, Michelle construiu uma história no partido que será difícil de ser substituída. Internamente, segundo pessoas ouvidas pela Gazeta do Povo, a análise é de que ela cresceu para além do sobrenome do ex-presidente Jair Bolsonaro e conquistou capital político próprio. E que fará falta.
No papel de presidente do PL Mulher, a ex-primeira-dama viajou pelo Brasil para incentivar as mulheres a se candidatarem a cargos públicos e conseguiu aumentar as filiações femininas na legenda de 346 mil para 411 mil, um crescimento de 18,8% em pouco mais de três anos.
O maior feito de Michelle, porém, foi reduzir a rejeição do eleitorado feminino aos homens do partido e da família Bolsonaro. Esse público é visto como fundamental na eleição para presidente em 2026 e é onde Flávio Bolsonaro (PL) tem mais dificuldade para alcançar.
O receio no PL é de que, além de travar esse avanço, a rejeição a uma candidatura de Flávio aumente entre as mulheres, algo que já caminhava para acontecer após ter dito, na última semana, que foi humilhada e apunhalada pelo enteado, antecipando a crise que culminaria com a saída do PL Mulher.
No comunicado de saída, Michelle evitou falar das divergências no partido e com o enteado. Segundo ela, a decisão foi tomada para que possa se dedicar “integralmente aos cuidados para com o meu marido e minha filha”. Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o fim de março e vem enfrentando seguidos problemas de saúde, incluindo picos de pressão.
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O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou que ninguém será nomeada presidente do PL Mulher e que o núcleo seguirá conduzido pelas presidentes estaduais. Uma nova presidente nacional será definida somente após a eleição.
“Não vamos conseguir uma substituta como Michelle”, disse Valdemar em entrevista ao Correio Braziliense. A avaliação interna é de que ninguém tem o capital político comparável ao da ex-primeira-dama para assumir o cargo e que não há tempo suficiente para reorganizar o núcleo feminino até as eleições.
Além do tamanho de Michelle Bolsonaro no PL Mulher, a substituta natural dela poderia causar novos conflitos dentro do partido. Priscila Costa é vice-presidente do núcleo feminino da legenda e é vereadora em Fortaleza.
Ela foi um dos motivos para a intensificação da crise entre Michelle e Flávio. A ex-primeira-dama costurava a candidatura dela para o Senado no Ceará, mas o senador trabalha para acomodar uma aliança com o grupo de Ciro Gomes (PSDB).

















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