A senadora Teresa Leitão (PT-PE) assumiu a liderança do governo no Senado com a missão de negociar a votação de pautas prioritárias para a campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de gerenciar a crise aberta entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o petista. A aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que determina o fim da escala 6×1 é o principal interesse do governo Lula. A campanha petista pretende explorar a nova jornada de trabalho nas eleições, caso ela entre em vigor até a segunda quinzena de agosto.

As primeiras declarações públicas de Teresa Leitão buscam transmitir normalidade institucional e a imagem de um governo que, apesar da crise, mantém canais abertos com o Senado. Em entrevista à CNN Brasil, ela afirmou que não houve ruptura de diálogo entre o Senado e a Presidência da República, atribuindo a percepção de crise a ruídos externos, não a um rompimento real.

A leitura de especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, porém, é diferente. Para eles, Leitão não chegou para resolver a crise, mas para administrá-la publicamente enquanto o governo tenta reconstruir a relação com Alcolumbre. “A mudança de liderança pode melhorar o diálogo, mas ainda não há elementos que indiquem uma mudança efetiva na relação política entre Planalto e Senado”, avalia o professor e cientista político Elias Tavares.

O discurso da senadora petista é calculado. Ao enquadrar o atraso na PEC do fim da escala 6×1 como parte do processo legislativo, a líder do governo tenta reduzir a pressão política sobre a aprovação da proposta e, segundo Elias Tavares, blindar o Planalto de uma cobrança futura, caso ela não avance. “A fala de Teresa Leitão parece uma tentativa de ganhar tempo político e reduzir a percepção de fracasso antecipado do governo”, comenta o cientista político.