A crise histórica do Supremo Tribunal Federal (STF) obrigou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a calibrar a parceria com o ministro Alexandre de Moraes, alvejado por 52 mensagens de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, captadas pela Polícia Federal (PF) e tornadas públicas.

Lula tenta se distanciar de Moraes, sem rompimento, só para impedir que o desgaste do ministro, extensivo ao STF, contamine a sua campanha pela reeleição. Indicado por Michel Temer (MDB) em 2017, Moraes enfrentou resistência da esquerda, mas o antagonismo virou aliança contra a direita.

O Inquérito das Fake News (2019) marcou a virada na relação de Moraes e Lula. O juiz ganhou ilimitado poder para conter políticos da direita e, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conduziu o pleito de 2022. Apesar do autoritarismo, a esquerda passou a enxergá-lo como parceiro.

A aliança se consolidou depois do 8 de Janeiro e ganhou dimensão brutal com os processos contra Jair Bolsonaro (PL). Enquanto procedimentos e limites das decisões de Moraes eram criticados, o lulopetismo assumiu sua defesa política, associando as ações do ministro à proteção da democracia.