A defesa de Eduardo Tagliaferro protocolou neste sábado (5) uma representação no Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por suposta violação de prerrogativas profissionais e possível abuso de autoridade. Os advogados também pedem um Desagravo Público Nacional em razão da atuação da defesa no caso.

A representação foi assinada pelos advogados Paulo César Rodrigues de Faria e Filipe Rocha de Oliveira, que sustentam ter identificado divergências entre os documentos utilizados pelo Estado brasileiro em um pedido de extradição de Tagliaferro em tramitação na Itália e o conteúdo disponibilizado à defesa no processo que tramita no STF.

Segundo os advogados, entre os documentos apresentados às autoridades italianas estão uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), de 30 de julho de 2025, na qual teria sido solicitada a prisão preventiva de Tagliaferro; uma decisão de Moraes, de 31 de julho de 2025, decretando a prisão; o respectivo mandado de prisão; e um ofício do gabinete do ministro encaminhado ao Ministério da Justiça e à Polícia Federal para viabilizar a difusão internacional e o pedido de extradição.

A defesa afirma, porém, que esses atos não apareciam no acervo processual acessível aos advogados no Brasil. Os representantes dizem ter confrontado os documentos com uma Certidão de Objeto e Pé expedida pela Secretaria Judiciária do STF em 22 de agosto de 2026. O documento é utilizado para registrar oficialmente o objeto e a situação processual de uma ação, incluindo as principais movimentações e decisões do processo. De acordo com a representação, a certidão não registra manifestações da PGR, decisão de prisão preventiva ou expedição de mandado entre 21 de maio e 1º de agosto de 2025.