Em mais de uma coluna na Gazeta, já citei o economista, cientista político e estatístico dinamarquês Bjorn Lomborg, que há mais de duas décadas tem sido um dos mais ativos e rigorosos críticos do catastrofismo ambiental, com base em criteriosas aplicações do método científico e em análises estatísticas precisas. Dois de seus principais livros, referências sobre o tema, O Ambientalista Cético – revelando a real situação do mundo, de 2002, e Falso alarme: como o pânico das alterações climáticas nos custa bilhões, atinge os mais pobres e não salva o planeta, lançado em 2024, tiveram edições brasileiras.

Apesar de não questionar a alegada influência humana no clima global, considera contraproducente a agenda da “descarbonização” da economia mundial, propondo, em troca, uma adaptação às mudanças climáticas e investimentos de longo prazo no enfrentamento de problemas como a poluição, a pobreza, a desnutrição e doenças epidêmicas como a malária e outras, que considera bem mais relevantes.

Recentemente, ele uniu forças com o economista indiano Indermit Gill, que acaba de deixar o cargo de economista-chefe do Banco Mundial, para uma crítica contundente às políticas climáticas das instituições multilaterais. Em um artigo publicado no Wall Street Journal de 1º de setembro último (“The Rich World’s Climate Distraction”), eles acusam o Banco Mundial e outras instituições de “perder o seu foco sobre as melhores maneiras de ajudar os pobres”. Segundo eles:

“Os últimos 75 anos trouxeram a maior melhoria no bem-estar humano da História. Mas, na última década, grande parte desse progresso estagnou. Isso aconteceu ao mesmo tempo em que o mundo rico voltou sua atenção para as mudanças climáticas. Isso não é uma coincidência e precisa mudar. (…)