
O regime comunista chinês intensificou a vigilância contra atividades religiosas por meio de um sistema de recompensas financeiras para delatores. Ao menos 12 cidades já adotaram medidas que incentivam moradores a monitorar e reportar líderes cristãos, cultos domésticos e comunidades clandestinas. A estratégia visa enquadrar a fé às diretrizes socialistas do Partido Comunista Chinês.
Como funciona o sistema de recompensas para quem faz denúncias?
O governo da China criou uma estrutura que remunera cidadãos por informações sobre o que o regime classifica como atividades religiosas ilegais. Em cidades como Guangzhou, os valores podem chegar a 10 mil yuans, aproximadamente 7,6 mil reais, por pistas que ajudem a localizar líderes de organizações estrangeiras não autorizadas. Outras regiões pagam quantias variadas por fotos, vídeos ou textos que comprovem reuniões em locais não registrados, como casas, escritórios e até hotéis. O dinheiro para esses pagamentos sai diretamente do orçamento público municipal das cidades chinesas.
Quais práticas religiosas são consideradas ilegais pelo regime chinês?
A lista de proibições é extensa e atinge diversas formas de expressão da fé fora do controle estatal. O regime considera irregular qualquer cerimônia coletiva realizada em residências particulares, fábricas ou parques sem aprovação prévia. A vigilância se estende ao ambiente digital, proibindo pregações por transmissões ao vivo, grupos de mensagens no WeChat e cerimônias virtuais como batismos e missas online. Além disso, o incentivo à participação de menores em atividades religiosas, incluindo acampamentos ou viagens de estudo para crianças, é expressamente vetado pelas autoridades locais.
Quais são as punições previstas para quem descumpre as regras?
Desde o início de 2026, está em vigor uma nova Lei de Punições da Administração de Segurança Pública que endurece as sanções contra atividades religiosas. A legislação permite a detenção administrativa por períodos de dez a 15 dias, além da aplicação de multas. Recentemente, operações policiais invadiram cultos, prenderam pastores e até deportaram casais de missionários estrangeiros. Em alguns casos, as autoridades removeram cruzes de prédios de igrejas e detiveram fiéis idosos durante reuniões domésticas, sob a acusação de organizarem ilegalmente atividades de evangelização.
O que é a política de sinização da religião promovida por Xi Jinping?
A sinização é uma diretriz política implementada pelo ditador Xi Jinping para adaptar as religiões à cultura chinesa e, principalmente, aos valores socialistas e à lealdade ao Partido Comunista. Na prática, isso significa que apenas cinco religiões são reconhecidas oficialmente — budismo, taoismo, islamismo, protestantismo e catolicismo — e todas devem estar submetidas ao controle do Estado. Grupos católicos e protestantes que se recusam a integrar as associações oficiais são classificados como comunidades clandestinas e sofrem restrições severas, prisões e vigilância por câmeras.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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