O Supremo Tribunal Federal vive uma crise sem precedentes. Ministros passaram a trocar acusações, o plenário se dividiu em grupos e o caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro colocou sob escrutínio as relações íntimas de integrantes da própria Corte. A disputa chegou ao ponto de uma guerra de liminares entre ministros e de pedidos para que fatos envolvendo colegas sejam – ou não – investigados.

No Executivo, a crise tem outro endereço: o INSS. A operação “Sem Desconto”, da Polícia Federal, investiga um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões e já chegou a políticos e operadores suspeitos de participação em crimes relacionados ao caso. Segundo as investigações, os envolvidos operariam um sistema muito bem estruturado de lavagem de dinheiro.

No Congresso, as emendas parlamentares — mecanismo que deveria levar recursos públicos para obras e serviços escolhidos pelos representantes eleitos — também se tornaram alvo de investigações. Em setembro, a PF deflagrou a operação “Make Up” para apurar suspeitas de desvio de dinheiro, e o Tribunal de Contas da União identificou irregularidades em transferências que somaram R$ 198,1 milhões.

São episódios diferentes, com personagens, mecanismos e responsabilidades diferentes. Mas eles ajudam a explicar uma sensação que se espalhou pelo país: a de que alguma coisa deixou de funcionar na relação entre o Estado e quem deveria ser o seu verdadeiro destinatário — o cidadão.