A situação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, será analisada nesta sexta-feira (25) pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), em um procedimento aberto após as mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A sessão do Conselho debaterá a permanência de Gonet à frente das investigações relacionadas ao banco e apontará quais serão os desdobramentos caso sejam identificados elementos que justifiquem uma apuração sobre a conduta do procurador-geral. 

A representação que deu origem ao procedimento foi apresentada por deputados do Partido Novo em 2 de setembro, depois da divulgação de informações do relatório da PF sobre as mensagens de Vorcaro. Os parlamentares pediram que Gonet fosse afastado dos procedimentos relacionados ao Banco Master e que um subprocurador-geral da República fosse designado para atuar nos casos. Segundo a representação, a existência de referências ao próprio PGR nas investigações poderia comprometer sua imparcialidade. 

O pedido, porém, não equivale a uma acusação criminal contra Gonet. O procedimento em análise pelo Conselho Superior também não é, neste momento, um processo administrativo disciplinar destinado a aplicar uma punição ao procurador-geral. A questão central é verificar se existem elementos que comprometam sua atuação nos casos relacionados ao Banco Master e, conforme o entendimento do colegiado, se há motivos para uma investigação. 

A sessão desta sexta-feira não definirá, por si só, a permanência de Gonet no cargo. Segundo o advogado, cientista político e doutor em Direito Político e Econômico Arthur Bezerra de Souza Junior, entre os possíveis desdobramentos estão o arquivamento, a realização de diligências complementares, a instauração de sindicância ou processo administrativo e, se houver indícios de crime comum, a designação de um subprocurador-geral para examinar os fatos.