Com a reta final do primeiro turno das eleições de 2026 para presidente se aproximando com um empate técnico entre os dois principais candidatos, de acordo com as últimas sondagens dos principais institutos de pesquisa de opinião, suas campanhas e respectivos grupos políticos procuram “balas de prata” capazes de decidir a eleição para um lado ou para o outro.
Neste contexto, o tema das famigeradas bets entrou de vez na agenda política do país e, assim, no leque de propostas dos dois principais candidatos neste momento de indefinição eleitoral.
A menos de dez dias da primeira rodada de votações, o presidente Lula (PT) abriu mais uma tampa na “caixa de ferramentas” do governo federal e “apelou” novamente para a caneta presidencial. Na semana passada, a menos de duas semanas do primeiro turno, o petista já havia assinado o aumento do valor do benefício do programa social Bolsa Família, o principal do governo federal.
Desta vez, no final da tarde desta sexta-feira (25), em São Paulo, Lula assinou um pacote de medidas para proibir as bets, na busca por se reeleger a seu quarto mandato. O evento em que Lula fez o anúncio foi denominado pela campanha petista como “Apresentação de novas medidas de proteção às famílias e à economia popular”, na avenida Paulista, às 17h.
A Medida Provisória (MP) que integra o pacote determina pena de quatro a seis anos de prisão para quem explorar ou operar as apostas online, incluindo empresas amparadas por leis estrangeiras. Define, ainda, que o dinheiro depositado em casas de apostas virtuais seja requisitado até o dia 5 de outubro e que seja devolvido entre os dias 9 e 14 do mesmo mês. Já o projeto de lei estende a pena para quem fizer publicidade de apostas.
Na noite de quinta-feira (25), em discurso em Maceió, o presidente em busca de reeleição já havia começado a anunciar a medida. “Amanhã vou ter alguns anúncios importantes”, afirmou ao público de cima do palanque. “Eu vou acabar com as bets antes delas acabarem com o Brasil. Agora o cassino está dentro da sua casa, na mão do seu filho, do seu neto, do seu marido. A gente a vida inteira foi contra jogo”, afirmou.
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Fim das bets tem impacto eleitoral incerto
Ainda não está claro qual o impacto eleitoral da medida. A canetada é polêmica por vir em um momento eleitoreiro, nove dias antes do primeiro turno, e por atropelar o processo legislativo pelo qual este tipo de negócio foi autorizado a funcionar.
Além disso, uma medida dessa, tomada de sopetão, deve ter impactos econômicos negativos imediatos em alguns setores específicos e vistosos, como times de futebol e emissoras de televisão, além de possuir uma probabilidade bastante alta de ser questionada na Justiça.
Segundo estudo realizado pela empresa Tunad, que monitora a veiculação de publicidade no mercado, 55% das transmissões esportivas brasileiras de televisão têm alguma propaganda de bet. O investimento estimado foi de R$ 400 milhões em 2025.
Casas de apostas que patrocinam clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro já começaram a notificar as equipes sobre a possibilidade de rescisão imediata de seus contratos comerciais. Atualmente, 14 dos 20 times da Série A exibem marcas de bets em seu espaço mais nobre da camisa.
De olho nos efeitos colaterais da medida nos times de futebol e no possível impacto de popularidade entre os torcedores-eleitores em uma reta final de eleição tão acirrada, Lula tem na manga mais uma canetada.
De acordo com o portal UOL, o governo federal e os clubes negociam um plano de socorro financeiro para pagamento de dívidas por meio de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A ideia, que já era conversada há meses, acelerou após a iniciativa do governo de acabar ou restringir as bets.
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Flávio Bolsonaro culpa Lula pelo avanço do “jogo do tigrinho”
Pelo lado da oposição, sem dispor das ferramentas que o presidente em exercício possui para lidar com o tema, o senador Flávio Bolsonaro (PL) adiantou-se ao anúncio de Lula e afirmou, em uma live nas redes sociais na quarta-feira (23), que, se for eleito, pretende acabar com os cassinos virtuais.
O candidato criticou nominalmente plataformas como o “jogo do tigrinho”, que classificou como responsáveis pelo endividamento da população, e procurou fazer uma diferenciação entre este tipo de jogo virtual e as apostas online em resultados de competições esportivas da vida real. “O cassino online tem que acabar”, disse na transmissão, ao lado do governador paulista em busca de reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).
“Lula trouxe dois males para o Brasil que são filhos dele: um é o Lulinha; o outro, o tigrinho. É o tigrinho que está acabando com a vida das pessoas e deixando todo mundo endividado”, afirmou o senador. “Lula fica fingindo que não tem responsabilidade, mas o cassino online foi regulamentado no governo dele. Se compararmos a quantidade de apostadores no fim do governo Bolsonaro com a de agora, veremos que esse número quase dobrou.
Pesquisa aponta que maioria da população é contra as bets
A aposta dos presidenciáveis no tema se justifica pelo impacto dele em amplas fatias do eleitorado. De acordo com pesquisa Atlas/Bloomberg sobre a corrida eleitoral divulgada no início dessa semana, nada menos que 73% dos eleitores são a favor da proibição das bets, e apenas 21% são contra. Para apenas 6% a questão é indiferente. Ao todo, 59,9% dos eleitores consideram que as bets trazem somente prejuízos para a sociedade, e 28,6% mais prejuízos que benefícios.
Apenas 5,7% dos entrevistados disse que as bets trazem benefícios e prejuízos por igual, 0,7% acredita que trazem somente benefícios, e 0,2% mais benefícios do que prejuízos — 4,9% dos entrevistados disse não saber. Na opinião de 36%, o maior culpado pela disseminação das bets é o governo Lula — outros 25,4% responderam que é o governo Bolsonaro, 16,5% o Congresso Nacional, 0,7% o STF, e 6,4% responderam nenhum deles e 15%, não sei.
Metodologia da pesquisa citada
- O instituto AtlasIntel entrevistou 5.015 pessoas de 17 a 22 de setembro de 2026. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04739/2026.

















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