Municípios brasileiros estão intensificando a transferência de recursos de bancos convencionais para cooperativas de crédito. A estratégia, incentivada por entidades como a OCB e o Sebrae, visa garantir que o dinheiro arrecadado com impostos circule na economia local em vez de ser enviado para grandes centros financeiros, impulsionando o desenvolvimento regional e aumentando o PIB por habitante.

Como as cooperativas conseguem captar recursos públicos das prefeituras?

A possibilidade de prefeituras depositarem dinheiro em cooperativas de crédito é recente. Até 2018, esses recursos eram restritos a bancos oficiais. A mudança ocorreu com a Lei Complementar 161/2018, que permitiu essa captação por municípios e câmaras. Em 2025, a Resolução CMN 5.273 ampliou ainda mais esse espaço, elevando os limites de depósitos. Isso gerou um acréscimo de R$ 4 bilhões no acesso das cooperativas a esses fundos, permitindo que elas ofereçam serviços financeiros não apenas para as gestões municipais, mas também para os milhares de servidores públicos locais.

Qual é a principal vantagem econômica de manter o dinheiro no município?

A premissa fundamental é a retenção de riqueza local. Quando uma prefeitura utiliza um banco convencional, o dinheiro muitas vezes vai para um fundo geral que financia empréstimos em outras regiões ou até fora do país. Já nas cooperativas, os recursos permanecem na comunidade. Como essas instituições não focam apenas no lucro, conseguem oferecer crédito com taxas menores para pequenos produtores e comerciantes locais. Isso cria um ciclo positivo: o dinheiro gera novos negócios, que criam empregos e aumentam a arrecadação da própria prefeitura, fortalecendo a economia regional.

Quais são os resultados práticos dessa mudança para o cidadão comum?

Os benefícios são visíveis no dia a dia e nos indicadores econômicos. Um estudo da Fipe de 2023 revelou que cidades com cooperativas de crédito atuantes têm um ganho médio de R$ 5.100 no PIB por habitante em comparação com cidades sem essa presença. Além disso, há o fator conveniência: em cidades pequenas, a cooperativa costuma ser a única instituição financeira presente. Sem ela, o morador precisaria viajar para outra cidade para receber seu salário ou fazer compras, gastando dinheiro com transporte e consumo fora de sua região, o que empobreceria o comércio local.