As eleições gerais de 4 de outubro deram recados importantes: o pêndulo moveu-se claramente na direção conservadora. A politização do Supremo Tribunal Federal, estou certo, contribuiu bastante para esse movimento. Lula pagou o preço do desgaste de um estilo de governo personalista e populista. Não teve a grandeza de formar um sucessor.

Agora é preciso pensar no Brasil. O país está cansado da gritaria. A polarização estéril consumiu energias, dividiu famílias, rompeu amizades e sequestrou a agenda nacional. Enquanto os poderosos alimentam suas guerras, o cidadão trabalha, paga impostos e espera respostas que não chegam. É hora de sair desse atoleiro.

Conciliação, tolerância e perdão fazem parte da tradição brasileira. Nossa história registra gestos de pacificação diante de conflitos graves. Juscelino Kubitschek apoiou a anistia a militares que se rebelaram contra seu governo. Compreendeu que a grandeza de um governante se mede também pela capacidade de superar ressentimentos e pensar no destino da nação. É esse espírito público que nos falta.

Excessos e desvios de conduta de autoridades precisam ser apurados e punidos, mas não há futuro quando a revanche vira programa de governo