Washington e Pequim aceleram a busca por minerais críticos e terras raras depositados a milhares de metros de profundidade nos oceanos. A iniciativa visa garantir o abastecimento de indústrias estratégicas, como defesa e tecnologia, reduzindo a dependência externa. Com decretos e contratos de exploração, as potências mapeiam áreas promissoras para iniciar a mineração comercial em larga escala.

Quais materiais as potências pretendem extrair do fundo do mar?

O foco da exploração são os nódulos polimetálicos e crostas ricas em metais que contêm níquel, cobalto, cobre, manganês e terras raras. Esses minerais são indispensáveis para a fabricação de baterias de veículos elétricos, equipamentos tecnológicos de ponta e sistemas avançados de defesa. Uma das áreas mais visadas é a zona Clarion-Clipperton, no Pacífico, que pode guardar bilhões de toneladas desses recursos. Em muitos casos, a quantidade estimada no fundo do oceano supera todas as reservas conhecidas em terra firme, o que justifica o alto investimento e o interesse estratégico.

Como o governo dos Estados Unidos está agindo para acelerar essa corrida?

A estratégia americana ganhou força com um decreto do presidente Donald Trump que autoriza o uso de legislação própria da década de 80 para acelerar a mineração submarina. Como os EUA não ratificaram a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, eles buscam autorizar empresas americanas a operar sem esperar pela conclusão das regras internacionais. Além disso, o governo mapeia depósitos em territórios próprios, como a Samoa Americana, e firma parcerias com aliados como Japão e Ilhas Cook para garantir que o material extraído possa ser processado e utilizado rapidamente no país.

Qual é a vantagem competitiva da China nesse cenário mineral?

A China já possui uma posição de domínio em terra, controlando a maior parte da mineração e, principalmente, do processamento global de terras raras. No mar, o país detém o maior número de contratos de exploração vinculados à Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA). O grande diferencial chinês é a sua vasta capacidade industrial de transformar o mineral bruto em insumo utilizável pela indústria. Analistas alertam que, mesmo que os EUA consigam retirar grandes volumes de minerais do mar, eles ainda precisarão desenvolver tecnologia para processar esses materiais e quebrar o monopólio chinês.