A entrega de dados de movimentações bancárias e de ligações telefônicas do presidente Lula (PT) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é considerada uma estratégia de marketing, às vésperas do segundo turno, no próximo domingo (25). Isso porque, de acordo com especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, existem limitações impostas pela Constituição Federal que impedem a abertura das movimentações financeiras de terceiros e o acesso aos conteúdos das ligações telefônicas registradas nos aparelhos.

O desafio da quebra de sigilos foi lançado por Lula durante o confronto direto com Flávio Bolsonaro (PL) no debate da Band, no último domingo (18). A campanha do PL reagiu e impôs condições para apresentação de dados do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e familiares, entre elas a inclusão do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Ele é suspeito de receber dinheiro da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

“A proposta para que os candidatos à Presidência abram seus sigilos bancário e telefônico, bem como de familiares, traz uma provocação evidente: quem não deve não teme. Do ponto de vista técnico, porém, a equação é mais complexa”, ressalta o advogado criminalista Daniel Peixoto.

Segundo ele, a legislação eleitoral não prevê procedimento para a entrega voluntária de dados com fins de auditoria. Ou seja, o TSE não tem competência na esfera criminal para investigar o presidente e o senador, ambos beneficiados pelo foro privilegiado.