A Polícia Federal mapeia a rota utilizada pelo senador Flávio Bolsonaro para deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos nesta quarta-feira, 28 de outubro. Após o parlamentar descumprir ordens do STF para entregar seu passaporte, as autoridades agora buscam identificar se aliados, servidores públicos ou estruturas partidárias ofereceram suporte logístico e financeiro para sua saída via Argentina.

Como foi a dinâmica da saída do senador do território brasileiro?

Flávio Bolsonaro saiu do Brasil sem deixar registros formais nos sistemas migratórios nacionais. Ele cruzou a fronteira com a Argentina e, na madrugada de quarta-feira, o governo do país vizinho confirmou que o senador, sua esposa e as duas filhas entraram em território argentino utilizando documentos oficiais. De lá, a família seguiu para os Estados Unidos. A Polícia Federal agora apura quem participou ativamente do deslocamento de Brasília até Foz do Iguaçu e se houve auxílio de servidores ligados ao sistema migratório para contornar as restrições impostas pelo Judiciário.

Quais são as principais frentes de investigação que pesam contra o parlamentar?

O senador está no centro de três frentes distintas no Supremo Tribunal Federal. A primeira envolve sua relação com o advogado Willer Tomaz, caso que motivou a ordem de retenção de passaportes. A segunda apura a origem dos recursos destinados ao financiamento do filme Dark Horse. Já a terceira investigação foi aberta recentemente pelo ministro Flávio Dino, atendendo a um pedido do PT, para verificar suspeitas de financiamento estrangeiro ao Partido Liberal (PL) e uma suposta interferência externa no processo eleitoral brasileiro por meio de empresas e empresários americanos.

Aliados e familiares de Flávio Bolsonaro também podem ser punidos?

Sim, as investigações podem se ampliar para pessoas próximas caso fiquem comprovados indícios de participação no descumprimento da ordem judicial. A PF não descarta pedir buscas, apreensões e bloqueio de bens em endereços de aliados e estruturas do PL. Existe também a hipótese de que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja investigado, caso as autoridades entendam que ele orientou o filho a deixar o país. No entanto, juristas alertam que qualquer responsabilização depende de provas concretas de conduta criminosa e não apenas de relações políticas, familiares ou visitas casuais.