O senador Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami nesta quarta-feira (28), após uma viagem que envolveu deslocamentos terrestres até a Argentina e escalas aéreas. A saída do país ocorreu logo depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar o recolhimento de seus passaportes e proibir sua saída do Brasil, em um desdobramento de investigações sobre supostas movimentações financeiras.

Como foi planejado o trajeto de saída do senador brasileiro?

O senador partiu de Brasília e fez uma parada em Foz do Iguaçu. De lá, atravessou a fronteira para Puerto Iguazú, na Argentina, utilizando uma van de turismo. No aeroporto argentino, uma aeronave já o aguardava para decolar rumo a Guayaquil, no Equador, onde permaneceu por pouco mais de meia hora antes de seguir para Miami, nos Estados Unidos. A movimentação foi acompanhada por veículos de imprensa argentinos e o voo chegou a ser o mais monitorado do mundo em plataformas de rastreio aéreo, confirmando a presença de Flávio, sua esposa e filhas ao desembarcarem em solo americano.

Qual foi a justificativa da defesa sobre a reunião ocorrida antes da viagem?

O advogado Tracy Reinaldet informou que houve uma reunião na segunda-feira (26) com a presença de aliados políticos, como o governador Tarcísio de Freitas e o senador eleito Guilherme Derrite. Segundo o defensor, o objetivo do encontro era tratar da intimação da Polícia Federal para a entrega dos passaportes. Reinaldet afirmou que em nenhum momento a saída do país foi cogitada durante a conversa e que o plano inicial era depositar os documentos na terça-feira. A notícia da viagem teria surpreendido os advogados e aliados que participaram da discussão técnica sobre o caso.

Quais são as suspeitas que motivaram as medidas cautelares do STF?

A investigação foca em supostas relações financeiras entre o senador e o advogado Willer Tomaz. Relatórios da Polícia Federal mencionavam que uma conta bancária de uma empresa de Tomaz poderia estar sendo utilizada por Flávio Bolsonaro para fluxos de recursos. No entanto, o banco Santander enviou ofícios ao processo esclarecendo que o senador nunca foi titular da conta citada e que os extratos não mostram transferências para ele. Apesar dessa informação ter surgido antes da decisão, o ministro Alexandre de Moraes decidiu manter e aplicar restrições severas, como o bloqueio de passaportes.