O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em transmissão realizada dos Estados Unidos nesta sexta-feira (30), que o desgaste econômico do governo Lula deve provocar uma crise política profunda. Segundo ele, esse cenário pode levar à saída antecipada do presidente e à realização de novas eleições antes de 2030, baseando sua análise na dificuldade do petista em equilibrar contas e promessas.

Por que o senador acredita que o governo Lula pode terminar antes do esperado?

O parlamentar sustenta que a economia será o estopim de uma crise política sem volta. Ele avalia que o cenário atual é mais grave do que o enfrentado em meados de 2014 e 2015, período que antecedeu a queda de Dilma Rousseff. Para Flávio, Lula está preso em um dilema: se cumprir suas promessas de campanha, quebrará o país rapidamente; se tentar ajustar as contas, terá que adotar medidas radicais nas quais não acredita. Essa paralisia ou o erro na condução econômica seriam, na visão dele, os fatores que resultariam em um eventual processo de impeachment ou na abreviação do mandato presidencial.

Quais foram os motivos que levaram Flávio Bolsonaro a deixar o Brasil?

A decisão de sair do país com sua esposa e filhas foi tomada após uma visita ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na última segunda-feira. Na ocasião, ele recebeu uma intimação da Polícia Federal para entregar seus passaportes e foi informado de uma proibição de deixar o território nacional, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Flávio relatou que agiu em segredo para garantir o sucesso da viagem e justificou que sua saída não é um abandono, mas uma estratégia para manter a liberdade de expressão e evitar o que classifica como perseguição de um regime de exceção.

Como ele pretende liderar a oposição ao atual governo estando no exterior?

O senador afirmou que a distância física permitirá que ele manifeste opiniões e pensamentos de forma mais livre, sem o receio imediato de represálias institucionais que sofreria se estivesse no Brasil. Ele pretende assumir o protagonismo político do grupo conservador, especialmente diante das restrições judiciais impostas a Jair Bolsonaro. Flávio argumenta que soube analisar os riscos de permanecer no país e entendeu que as instituições brasileiras não oferecem as garantias necessárias para quem se considera vítima de injustiças, optando por atuar politicamente a partir dos Estados Unidos.