Rodrigo Pacheco anunciou o fim da sua carreira política há menos de seis meses, mas já está perto de se firmar no poder como mais um ministro com viés político dentro do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-presidente do Senado, que barrou a abertura de processos de impeachment contra membros do STF durante quatro anos, voltou a ser o favorito em Brasília para ocupar uma cadeira na Corte.

Ao mesmo tempo, outra iniciativa sua pode avançar no Congresso: um novo Código Civil que desfigura as bases jurídicas da família, abre caminho para mais censura nas redes sociais e provoca insegurança jurídica nas relações contratuais.

Pacheco tomou posse como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) em 30 de setembro, em uma acomodação temporária feita pelo consórcio entre o PT e a ala autoritária do STF. A reeleição de Lula (PT) deu novo impulso à articulação para levá-lo ao STF ainda em 2026, antes que a renovação do Senado torne mais difícil aprovar nomes indicados pelo petista.

Entre fevereiro de 2021 e o início de 2025, quando presidiu o Senado, ele manteve fechada a porta para processos de impeachment contra ministros da Corte, mesmo diante de uma sucessão de pedidos apresentados por cidadãos, parlamentares e pelo próprio presidente da República.