Ao instaurar um inquérito contra o então presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) dentro de uma ação originalmente relacionada ao setor mineral, Flávio Dino reforçou sua posição como um dos ministros mais influentes do Supremo Tribunal Federal (STF). Relator também do processo envolvendo o filme Dark Horse, uma das principais ameaças jurídicas ao senador, Dino tem encarnado rapidamente o modelo de atuação de ativismo judicial e decisões incompatíveis com garantias constitucionais, características frequentemente associadas a Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

O episódio mais recente ocorreu no último dia 27, quando Dino determinou a abertura de um inquérito contra Flávio Bolsonaro em uma ação proposta pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), originalmente ligada às disputas judiciais decorrentes dos desastres de Mariana e Brumadinho. Ao acolher um pedido do PT em um processo sem conexão eleitoral direta, o ministro acaba criando um tribunal de exceção, em que as partes conseguem direcionar demandas a magistrados com os quais possuem afinidade política. A medida também esvaziou a iniciativa lançada semanas antes pelo presidente do STF, Edson Fachin, para impedir justamente esse tipo de expansão artificial das relatorias.

Após o resultado das eleições, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil alegando receio de sofrer perseguição judicial semelhante à enfrentada por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os casos que mais preocupam o senador está o processo relacionado ao filme Dark Horse, também nas mãos de Flávio Dino.

Para a professora de Direito Constitucional Ana Luiza Rodrigues Braga, Dino não apenas integra a corrente mais expansionista do Supremo, mas se tornou um de seus principais representantes em um curto espaço de tempo.