
Iniciado em 1974 com apenas 24 hectares em Ipiranga, o negócio da família Scheffer evoluiu para a Águia Florestal, uma estrutura que hoje soma quase 10 mil hectares de florestas próprias e gera 460 empregos diretos. Ao longo de quatro gerações, os produtores paranaenses integraram o cultivo à industrialização da madeira, acompanhando a modernização tecnológica e consolidando o pinus como um pilar econômico regional.
Como a produção de pinus se tornou um negócio de várias gerações?
A trajetória começou com Ferdinando Scheffer Júnior e seu irmão Frederico, que realizaram os primeiros plantios nos anos 70. O comando passou para o filho de Ferdinando, Álvaro Luiz, e posteriormente para o neto, Álvaro Júnior. Hoje, até o bisneto Leonardo, de 15 anos, já se prepara para o futuro na empresa. Essa continuidade é vital na silvicultura, o cultivo de florestas, pois o ciclo do pinus é longo, levando de 12 a 20 anos. Isso significa que quem planta nem sempre é quem colhe, exigindo um planejamento familiar rigoroso para que o negócio prospere por décadas como uma herança produtiva.
Quais foram as principais inovações tecnológicas adotadas no manejo florestal?
O negócio deixou para trás o uso de tração animal e corte manual para adotar máquinas de última geração que cortam e processam as árvores com alta produtividade. No viveiro, a genética avançou com o uso de tubetes plásticos e substratos especiais em vez de recipientes simples, além do desenvolvimento de sementes próprias e clones selecionados. Essa modernização reduziu custos operacionais e aumentou a segurança dos trabalhadores. Embora o plantio em áreas muito íngremes ainda exija o trabalho manual humano, a automação permitiu que a empresa escalasse sua produção de forma eficiente e sustentável.
Qual é a importância econômica do cultivo de pinus para o estado do Paraná?
O Paraná é protagonista no setor, respondendo por cerca de 68% das exportações brasileiras de compensado de pinus. Em 2025, produtos florestais movimentaram R$ 9,7 bilhões na economia estadual, representando 4,5% do Valor Bruto da Produção do estado. Cidades como General Carneiro e Telêmaco Borba lideram esse ranking financeiro. Além das divisas, o setor é um grande gerador de oportunidades de trabalho, com dados apontando mais de 109 mil empregos na cadeia produtiva paranaense. O pinus funciona como uma ‘poupança verde’, servindo de reserva patrimonial para famílias e empresas rurais.
Quais são os riscos e os próximos passos para a indústria da madeira?
Investir em árvores que demoram anos para crescer expõe o produtor a pragas, como a vespa-da-madeira, e aos estragos causados por macacos-prego, além do risco constante de incêndios em épocas de seca. Para mitigar perdas, o monitoramento e a manutenção de estradas são essenciais. Olhando para o futuro, a Águia Florestal foca na produção de madeira estrutural e madeiras engenheiradas, como o CLT (laminado cruzado). O grande desafio agora é converter esse enorme potencial produtivo em uma demanda estável na construção civil, investindo em mão de obra qualificada e normas técnicas robustas.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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