A solidão e o enfraquecimento das relações humanas estão se tornando desafios para as empresas, com consequências que vão além da saúde mental dos funcionários. A falta de vínculos, a competição excessiva e os ambientes de trabalho marcados pela desconfiança podem comprometer a produtividade, dificultar a inovação e reduzir a capacidade das equipes de identificar e resolver problemas. O alerta é da psicóloga e pesquisadora Lis Soboll, especialista em saúde social e prevenção do assédio no trabalho.

Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo durante o 19º Congresso Paranaense de Recursos Humanos (CONPARH 2026), realizado em Curitiba, Lis defendeu que a qualidade das relações profissionais precisa deixar de ser tratada como uma questão secundária e passar a integrar as decisões estratégicas das organizações.

O problema acompanha uma preocupação mundial. Segundo relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em junho de 2025, uma em cada seis pessoas no mundo vivencia a solidão. O levantamento relaciona a falta de conexões sociais a consequências para a saúde física e mental, a longevidade e o desempenho em diferentes dimensões da vida, incluindo o trabalho.