
Reeleger Davi Alcolumbre para a Presidência do Senado seria uma desgraça, como se não bastassem as que já temos. Uso essa palavra com um certo constrangimento, pois desde pequeno fui orientado por minha Vó Maria a não utilizar o termo “desgraça”, nem por brincadeira. No entanto, por mais que procure, é-me impossível encontrar uma palavra que expresse melhor o que significaria manter o senador amapaense em um dos cargos mais altos e poderosos da República.
Alcolumbre é o pior presidente da história do Senado (não que lhe faltassem concorrentes fortíssimos ao título, como seu antecessor Pachequinho, senador de um mandato só, e Renan Calheiros, agora rejeitado pelos alagoanos). Sua recondução ao comando da Casa significaria garantia de impunidade para Moraes, o abusador-mor do STF, e caminho livre para Lula, o ocupante da Presidência, desgovernante e desgovernado, conduzir a sua agenda de destruição do país.
Qualquer tipo de acordo com esse sujeito deve ser repudiado de imediato, e por um motivo muito simples: o que Alcolumbre fala não se escreve. Acreditar que ele permitirá a liberdade dos presos políticos e dos injustiçados pela farsa de 8 de janeiro (e que o STF concordará com isso) é, na melhor das hipóteses, de uma ingenuidade suicida. Tudo que Alcolumbre quer é proteger a casta político-burocrática que vampiriza o Brasil e da qual ele participa ativamente.
À frente do Senado, Alcolumbre colecionou catástrofes e deu um show de pusilanimidade
Alcolumbre, assim como seu equivalente na Câmara, Hugo Motta, é um pusilânime. Em latim, pusillus animus significa literalmente “alma pequena”. É o termo usado para descrever indivíduos cuja mesquinhez é diretamente proporcional à altura do cargo que ocupam. O indivíduo acometido pela pusilanimidade é aquele que, mesmo investido de responsabilidades graves, subestima suas próprias obrigações, apequena-se diante do perigo e renuncia à honra por medo do esforço ou do conflito.
À frente do Senado, Alcolumbre colecionou catástrofes e deu um show de pusilanimidade: blindou o STF e engavetou inúmeros pedidos de impeachment; mostrou, mais do que alinhamento, subserviência ao regime; centralizou decisões e ignorou as demandas da minoria; freou pautas conservadoras; abusou do poder para barganha orçamentária. Sem esquecer, é claro, de impedir a realização da CPMI do Banco Master, escândalo no qual está pessoalmente envolvido.
Eleito com menos de 200 mil votos (enquanto o senador mais votado do Brasil, Guilherme Derrite, obteve mais de 13 milhões), Alcolumbre se comporta como um obediente cão de guarda da agenda socialista de Lula. Seu único bom momento foi a atuação de bastidores para evitar a aprovação do nome de Bessias ao STF, não por razões nobres, mas por divergências internas do consórcio ditatorial. Até relógios parados acertam duas vezes por dia, mas não sejamos inocentes: esse golpe de sorte não se repetirá.
Tenho enfatizado que a um regime ditatorial e ilegítimo não se faz propriamente oposição, mas dissidência. A sociedade precisa mobilizar-se desde já para exigir dos senadores eleitos uma estratégia que impeça a reeleição de Alcolumbre e o mergulho do país no caos absoluto.
Basta de Alcolumbre! O Senado precisa virar essa página sombria de sua história.

















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