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Bicheiros, milicianos e policiais formavam grupo de Vorcaro para ameaçar desafetos

A investigação da Polícia Federal que levou à deflagração da sexta fase da Operação Compliance Zero, na manhã desta quinta-feira (14), revelou que o grupo formado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, para ameaçar e coagir desafetos era formado por seu pai, Henrique Moura Vorcaro, policiais aposentados ou cooptados, operadores do jogo do bicho e milicianos.

A revelação consta no relatório da Polícia Federal que embasou as ações desta manhã e que levou à prisão de Henrique Moura e ao afastamento das funções de uma delegada e uma agente policial. Ao todo, a autoridade cumpre seis mandados de prisão e 17 de busca e apreensão nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

“Pelas características já identificadas, a autoridade policial ainda acrescenta ser plausível inferir que esse braço local é formado por operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais”, escreveu Mendonça no despacho a que a Gazeta do Povo teve acesso.

A reportagem procurou a defesa de Daniel Vorcaro para se pronunciar sobre as novas revelações da Polícia Federal e aguarda retorno.

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O grupo era chamado de “A Turma” e foi classificado pelo ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), como uma “milícia privada” de Vorcaro. Além do banqueiro, faziam parte o policial federal aposentado Marilson Roseno e o aliado Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” – ele tentou se matar na prisão horas após de ser detido e morreu dias depois.

A existência do grupo foi revelada durante a deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, em março deste ano, em que Vorcaro pedia represálias contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e até mesmo de funcionários de suas residências. Após sua primeira prisão, em novembro do ano passado, seu pai, Henrique Moura Vorcaro, passou a liderar o grupo.

“Henrique Moura Vorcaro é apontado como demandante, beneficiário e operador financeiro do núcleo ‘A Turma’. […] Agente que atuava em conjunto com o filho, em posição de colaboração direta, como solicitador e beneficiário de serviços ilícitos prestados pelo grupo, além de exercer função própria e autônoma na engrenagem financeira voltada à sua sustentação”, escreveu Mendonça.

Segundo a investigação, a “milícia privada” de Vorcaro custava R$ 1 milhão ao mês. Além de ameaçar e coagir desafetos, “A Turma” atuava ainda na invasão de sistemas sensíveis sigilosos de autoridades do Brasil e do exterior, como Polícia Federal, Ministério Público Federal, FBI e Interpol.

Força de choque

A decisão do ministro André Mendonça aponta que a organização liderada por Daniel Vorcaro utilizava operadores do jogo do bicho como uma força de choque para realizar intimidações e ameaças presenciais contra desafetos. O documento identifica a participação de policiais e bicheiros que atuavam de forma coordenada para garantir os interesses do núcleo central do grupo.

Entre eles, segundo cita, está o empresário fluminense Manoel Mendes Rodrigues, apontado pela investigação como líder de um braço local de Vorcaro no Rio de Janeiro. “Ele surge como elo entre o comando central da organização e a força local empregada para intimidação física e constrangimento direto de alvos”, escreveu Mendonça.

Mais informações em instantes.

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