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EUA avançam para indiciar Raúl Castro por morte de exilados

O governo dos Estados Unidos está preparando um processo criminal contra Raúl Castro, ex-ditador de Cuba e irmão do também ex-ditador Fidel Castro (já falecido), pela derrubada de dois aviões civis do grupo humanitário Irmãos para o Resgate em 1996, segundo informou nesta quinta-feira (14) a emissora CBS News, citando fontes com conhecimento do caso.

A ação, contudo, ainda precisaria ser aprovada por um grande júri, etapa necessária para que o processo criminal avance formalmente na Justiça americana. Procurado pela CBS, um porta-voz do Departamento de Justiça dos EUA não comentou o caso.

O episódio mencionado ocorreu em 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões Cessna 337 operados pelo Irmãos para o Resgate, organização de exilados cubanos baseada em Miami, foram derrubados por um caça MiG-29 da Força Aérea Cubana. Quatro pessoas morreram no ataque: Carlos Costa, Armando Alejandre Jr., Mario de la Peña e Pablo Morales. As vítimas eram cubanas e cubano-americanas.

O grupo Irmãos para o Resgate realizava voos no Estreito da Flórida para localizar cubanos que tentavam fugir da ilha comunista em balsas. A organização também havia realizado ações políticas contra o regime cubano, incluindo o lançamento de panfletos sobre Cuba.

A CBS lembrou que uma investigação da Organização dos Estados Americanos concluiu que os aviões foram abatidos fora do espaço aéreo cubano. O relatório apontou que Cuba violou o direito internacional ao disparar sem aviso e sem apresentar evidência de que a ação fosse necessária.

O regime cubano sempre alegou que a derrubada dos aviões foi legítima, sustentando que as aeronaves haviam invadido seu espaço aéreo e que o grupo buscava realizar atos de sabotagem contra infraestrutura da ilha.

Na época do ataque, Fidel Castro era o líder de Cuba, enquanto Raúl Castro comandava as Forças Armadas. À CBS, Fidel afirmou anos depois que os militares cubanos agiram sob suas “ordens gerais” para impedir a entrada de aviões no país.

O caso gerou forte indignação entre exilados cubanos na Flórida e agravou as relações entre Washington e Havana. O ataque contribuiu para endurecer naquele momento a política americana contra o regime cubano.

Um dos envolvidos no caso, Gerardo Hernández, foi condenado nos Estados Unidos por conspiração para assassinato. Promotores federais afirmaram que ele integrava uma rede de espionagem que repassava informações sobre o Irmãos para o Resgate aos serviços de inteligência cubanos. Condenado à prisão perpétua, ele foi enviado a Cuba em 2014 em uma troca de prisioneiros.

A possível acusação contra Raúl Castro ocorre em meio à escalada de pressão do governo do presidente Donald Trump sobre Cuba. A Casa Branca já fechou o cerco contra o petróleo que entra na ilha, o que intensificou a crise energética cubana, levando milhares de pessoas a se manifestar contra o regime.

Mesmo tendo deixado formalmente a liderança do Partido Comunista Cubano em 2021, Raúl Castro, hoje com 94 anos, ainda é visto como uma das figuras mais influentes do regime. Seu neto, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, conhecido como “Raulito”, é tratado como representante do ex-ditador e como um dos principais canais de contato entre Washington e Havana.

Nesta quinta-feira, o diretor da CIA, John Ratcliffe, chegou a se reunir com Raulito em Cuba. Segundo um funcionário da agência citado pela CBS, Ratcliffe levou pessoalmente a mensagem de Trump de que os Estados Unidos estão “preparados para se engajar seriamente em questões econômicas e de segurança, mas apenas se Cuba fizer mudanças fundamentais”.

O funcionário afirmou ainda que Cuba “não pode mais ser um refúgio seguro para adversários no Hemisfério Ocidental”.

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