O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, reagiu ao acordo fechado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para votar o projeto do governo que reduz a jornada semanal de trabalho para 40 horas e acaba com a escala 6×1. Para ele, o parlamentar não ouviu os setores produtivos e desconhece a realidade enfrentada pelas empresas brasileiras.
Na véspera, Motta anunciou ter acordado com o governo que a redução da escala 6×1 será apreciada através de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sem atingir os salários dos trabalhadores. Skaf afirma que a discussão está sendo conduzida sob influência política e eleitoral.
“Ele tem conhecimento do que acontece na vida real do país e dos setores [da economia]? Ele não tem esse conhecimento, porque ele não discutiu com os setores”, afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo publicada nesta quinta-feira (14).
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Como a pressa na Câmara pode afetar a decisão sobre a jornada 6×1?
Paulo Skaf também criticou a pressão do governo para acelerar a votação da proposta no Congresso Nacional. Segundo ele, os parlamentares acabam tendo de sucumbir à “pressão do governo, que tem isso [redução da escala] como bandeira eleitoral, lamentavelmente”.
“A realidade da saúde não é igual à da agricultura ou à da siderúrgica, ou à do restaurante”, disse o presidente da Fiesp ao defender uma análise individualizada para cada segmento produtivo.
O dirigente ainda citou o Chile como exemplo negativo após mudanças semelhantes na jornada de trabalho aprovadas em 2024. Segundo ele, a medida provocou aumento da informalidade, desemprego e inflação, além de estudos que apontariam uma possível queda de 1% a 3% no PIB brasileiro caso a redução seja aprovada sem planejamento.
A Fiesp também alertou para impactos diretos na competitividade das empresas nacionais. De acordo com Skaf, a indústria brasileira trabalha atualmente com margens médias de lucro entre 2% e 3%, o que poderia dificultar a absorção dos custos gerados pela nova jornada de trabalho.
O acordo sobre as 40 horas semanais, diz, foi construído em conjunto com integrantes do governo federal e membros da comissão especial. Participaram das negociações o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, além do secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Bruno Moretti.
A Comissão Especial responsável pela análise da proposta marcou para o dia 27 de maio a votação do parecer do relator Leo Prates (Republicanos-BA). Caso o texto seja aprovado, a proposta seguirá para votação no plenário da Câmara no dia seguinte e, posteriormente, será enviada ao Senado.
O governo federal trabalha para aprovar a mudança ainda neste semestre e defende que a nova regra entre em vigor imediatamente, sem período de transição.

















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