
A delegada Valéria Vieira Pereira da Silva foi afastada de suas funções após investigações da Polícia Federal (PF) apontarem que ela acessou indevidamente inquéritos para fornecer informações sigilosas a uma organização criminosa. A decisão, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), fundamentou a sexta fase da Operação Compliance Zero, que aponta o empresário Henrique Moura Vorcaro como o principal beneficiário e financiador do esquema.
Além da suspensão de suas atividades, Valéria está proibida de manter contato com outros integrantes da corporação. As investigações também envolvem o marido da delegada, o agente aposentado Francisco José Pereira da Silva, que teria participado do repasse das informações colhidas ilegalmente. O grupo operava sob o comando do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, servindo aos interesses de Henrique Vorcaro, pai do proprietário do Banco Master
De acordo com os documentos da PF, a estrutura mobilizada pela delegada e pelo núcleo conhecido como “A Turma” atuava para obter dados sobre investigações de interesse direto de Henrique. Em um dos episódios citados, o empresário buscou informações sobre um inquérito para o qual havia sido intimado a depor, recebendo a promessa de Marilson de que um parceiro entregaria um resumo da investigação. Para o ministro Mendonça, a participação de agentes públicos amplia significativamente a gravidade da atuação do grupo.
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O esquema de corrupção era sustentado por repasses financeiros vultosos feitos por Henrique Vorcaro. Mensagens extraídas do celular do empresário revelaram negociações de valores entre R$ 400 e R$ 800 mil para a manutenção das atividades da organização. Segundo a decisão judicial, Henrique exercia o papel claro de destinador de recursos para financiar a estrutura clandestina.
“Com base nesse diálogo, a Polícia Federal extrai a conclusão de que Henrique exercia, de maneira clara, o papel de destinador de recursos para o financiamento da “Turma”, sendo o valor de R$ 400 mil compatível com a quantia que, segundo as investigações, era destinada mensalmente à manutenção do grupo, em pagamentos que seriam feitos também por Fabiano Zettel”, diz a decisão.
“Os Meninos”
A organização criminosa possuía ramificações que iam além do vazamento de informações por agentes da PF, incluindo uma célula de hackers denominada “Os Meninos”. Esse grupo digital era responsável por invadir perfis, monitorar opositores e destruir provas, agindo em conjunto com as ações presenciais de intimidação e vigilância da célula policial ligada à delegada afastada. As atividades do grupo concentravam-se especialmente em Angra dos Reis (RJ) e envolviam, segundo a PF, a colaboração de milicianos e operadores do jogo do bicho.
O grupo era liderado por David Henrique Alves, que recebia pagamentos mensais de R$ 35 mil de Filipe Mourão, o “Sicário”, por meio da empresa Bipe Software Brasil Ltda.
“A imputação é precisa ao situar David como responsável pela célula que viabilizava, no plano digital, aquilo que ‘A Turma’ fazia no plano presencial: neutralizar, intimidar, constranger ou vigiar alvos de interesse da organização. Isso confere especial gravidade à sua posição, pois indica atuação voltada não apenas à proteção passiva do grupo, mas à sua capacidade ofensiva e retaliatória em ambiente virtual”, relata o despacho do ministro André Mendonça.
O grupo atuaria para invadir, derrubar perfis e monitorar opositores aos negócios do grupo, além de operar a destruição de provas. Um dos indícios foi um flagrante das autoridades: em março de 2026, David estaria no que parecia ser uma tentativa de fuga, conduzindo um veículo de “Sicário” carregado de notebooks, caixas e malas.
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