
Cinquenta anos após a Geada Negra devastar os cafezais paranaenses em julho de 1975, o Paraná ressurge no cenário nacional. Com apoio da ciência e foco em grãos especiais, o estado substitui a quantidade pela alta qualidade, conquistando selos de origem e atraindo turistas para o interior.
O que foi o evento climático conhecido como Geada Negra?
Foi um fenômeno extremo ocorrido em 17 de julho de 1975. O frio foi tão intenso que congelou a seiva dentro dos pés de café, matando as plantas de dentro para fora. Naquela noite, cerca de 60% de todos os cafezais do Paraná foram dizimados, destruindo a base da economia do estado na época e forçando milhares de trabalhadores a deixarem o campo em direção às cidades ou a outros estados.
Como a ciência ajudou os produtores a voltarem a plantar café no estado?
A retomada foi possível graças à intervenção do IDR-Paraná, que usou a pesquisa para criar plantas mais resistentes e adaptadas ao clima local. Em vez de focar em grandes volumes, os agricultores foram treinados para usar técnicas modernas, como a secagem em terreiros suspensos e a fermentação controlada. Esses processos elevam a nota sensorial da bebida, permitindo que o café paranaense seja vendido por preços muito superiores aos do mercado comum.
O que garante que o café paranaense seja considerado especial?
A qualidade é garantida por selos de Indicação Geográfica (IG) e Denominação de Origem (DO). Essas certificações provam que o café possui sabores únicos devido ao seu ‘terroir’ — uma combinação exclusiva de solo, clima e tradição. No Norte Pioneiro e em Mandaguari, por exemplo, o solo de terra roxa e as técnicas de cultivo resultam em uma bebida com notas de chocolate, caramelo e doçura natural elevada.
Quais regiões do Paraná hoje são referência em cafés de alta qualidade?
O Norte Pioneiro foi o pioneiro com o registro de IG ainda em 2012. Mais recentemente, o município de Mandaguari e a região da Serra de Apucarana também conquistaram reconhecimento oficial. Atualmente, a Serra de Apucarana representa a 24ª Indicação Geográfica do estado, abrangendo cerca de 300 produtores que agora competem no mercado global de luxo com grãos selecionados.
De que forma o café está impulsionando o turismo paranaense?
O estado criou a Rota do Café em 2009, um roteiro turístico que passa por cidades como Londrina e Ibiporã. Os visitantes podem conhecer todo o processo produtivo, desde o plantio até a degustação da xícara final, passando por trilhas e museus históricos. Além disso, marcas de outros estados, como a mineira Coffee++, estão lançando linhas específicas com grãos do Paraná para homenagear os produtores que resistiram e mantiveram vivos os cafezais.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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