Investimentos impressionantes em infraestrutura tecnológica e previsões ambiciosas para a transformação da força de trabalho. É um momento de especulação intensa nos mercados financeiros. Será que estamos revivendo 1999?
Para alguns analistas veteranos de Wall Street, o déjà-vu da bolha da internet está de volta. E sim, alguns vêm repetindo isso há anos, gritando a palavra “bolha” apenas para ver as avaliações subirem cada vez mais.
Mas há novos choques macroeconômicos que colocaram a euforia quase viral do mercado de ações sob um escrutínio renovado — particularmente por parte daqueles que estavam lá quando a euforia parou na virada do século.
“Definitivamente existe uma ruptura geracional”, afirma Steve Sosnick, estrategista-chefe da Interactive Brokers.
Quem viveu a bolha da internet está tendo flashbacks, enquanto os investidores mais jovens nunca viram uma queda no preço que não fosse uma boa oportunidade de compra.
“Se você não estava negociando em 1999-2000, então você está com sorte”, escreveu a analista técnica de mercado Helene Meisler nas redes sociais na semana passada. “Era assim que funcionava. Agora você pode vivenciar isso.”
Um conselho para os recém-chegados: não correu muito bem.
Por que essa repentina onda de lembranças dos tempos do bug do milênio, do restaurante Delia’s, da Britney Spears e de alguns dos melhores filmes já feitos?
Em parte, trata-se de inteligência artificial. Em parte, trata-se da guerra. E, em parte, trata-se de uma economia norte-americana que se mostra cada vez mais vulnerável.
“A história não se repete, mas muitas vezes rima”, disse Sosnick. “E existem vários esquemas de rima aqui que são plausíveis.” Embora, ele observe, nenhum dos paralelos signifique necessariamente que estamos fadados a uma repetição da bolha da internet.
Em primeiro lugar: a alta do mercado de ações em abril/maio.
Apesar do evento imprevisível do fechamento do Estreito de Ormuz, das guerras no Oriente Médio e na Europa Oriental, da desaceleração do mercado de trabalho norte-americano e da probabilidade cada vez menor de o Federal Reserve cortar as taxas de juros este ano, as ações de tecnologia estão em alta.
O Nasdaq subiu mais de 20% desde sua mínima em 30 de março. Enquanto isso, o Índice de Semicondutores da Filadélfia disparou incríveis 70% entre o final de março e o fechamento de segunda-feira (11).
E embora as ações de empresas de semicondutores tenham liderado uma correção na terça-feira (12) após um relatório de inflação pior do que o esperado, elas ainda estão sendo negociadas confortavelmente perto de suas máximas históricas.
Na sexta-feira (15), as ações mostraram outra estranha rima histórica, quando o S&P 500 atingiu um recorde, apesar de 5% de seus componentes terem atingido mínimas de 52 semanas (um indicador da extrema concentração em ações de tecnologia que sustentam o mercado em geral).
Isso só aconteceu quatro vezes, segundo o analista Jason Goepfert:
- Julho de 1929;
- Janeiro de 1973;
- Dezembro de 1999.
O argumento otimista é que a temporada de balanços foi melhor do que o esperado, então a alta não é irracional. Dan Ives, um dos maiores entusiastas das ações de tecnologia em Wall Street, disse à CNBC na segunda-feira que a festa está apenas começando.
“Ainda estamos nos estágios iniciais da revolução da IA”, disse ele ao Squawk Box. “Os pessimistas vão continuar pessimistas, e nós sabemos disso.”
Mas alguns analistas veteranos ainda veem sinais de alerta.
O fato de as grandes empresas de tecnologia e as pequenas empresas de semicondutores, que estão no centro da recuperação do mercado, serem em sua maioria lucrativas e apresentarem fluxo de caixa positivo, é um forte argumento para otimismo de que não estamos repetindo os erros da década de 1990.
Mas a escala da construção de data centers para inteligência artificial faz com que a expansão da internet pelas empresas de telecomunicações pareça insignificante.
Segundo Sosnick, os investidores de hoje podem estar focados demais nas projeções otimistas de curto prazo das empresas e presumindo que os bons tempos vão durar — uma das muitas tolices daqueles que se deram mal em 2000.
E não se trata apenas da alta das ações. Tem a ver com tudo o que está acontecendo ao mesmo tempo.
No final da década de 90, o Federal Reserve (e todos os outros) estavam apreensivos com uma possível catástrofe do bug do milênio.
Então, para se antecipar ao potencial pânico público, o banco central liderado por Alan Greenspan inundou o sistema financeiro com dinheiro para evitar o entesouramento ou corridas aos bancos. Essa intervenção monetária impulsionou a alta das ações de tecnologia em 1999, que acabaram em colapso em 2000.
A atual alta está acontecendo sem qualquer ajuda do Fed, que não reduz as taxas de juros desde dezembro e pode não fazê-lo novamente até 2027.
A alta também se mantém forte apesar do aumento acentuado dos preços do petróleo, da alta dos rendimentos dos títulos, da inflação em disparada e da confiança do consumidor em seu nível mais baixo de todos os tempos.
Desde que os EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, as ações têm subido a praticamente qualquer indício de cessar-fogo ou acordo para reabrir o Estreito de Ormuz. Mas o mercado nunca é penalizado quando esses acordos tão alardeados não se concretizam, observa Sosnick.
Michael Burry, que previu a crise do mercado imobiliário no final da década de 2000, escreveu na sexta-feira que a recente alta “parece os últimos meses da bolha de 1999-2000”.
“As ações não sobem nem descem por causa do emprego ou da confiança do consumidor”, escreveu Burry. “Elas estão subindo sem parar porque vêm subindo sem parar. Baseado numa tese de duas letras que todos acham que entendem.”

















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