Um novo toque de recolher terá início no Equador neste domingo (3). A medida estará vigente até 18 de maio e ocorrerá todas as noites, das 23h às 5h, no horário local.
Ao todo, nove províncias serão afetadas: Guayas, Manabí, Santa Elena, Los Ríos, El Oro, Pichincha, Esmeraldas, Santo Domingo de los Tsáchilas e Sucumbíos.
Quatro cantões também estão incluídos: La Maná, Las Naves, Echeandía e La Troncal. Essas áreas são consideradas pelas autoridades como as que apresentam maior concentração de crimes e presença de grupos criminosos.
O toque de recolher inclui restrições à livre circulação de pessoas, a suspensão do direito à inviolabilidade do domicílio para permitir que as autoridades realizem buscas e apreensões, e a suspensão do direito à inviolabilidade da correspondência, o que possibilitará a revisão de e-mails e mensagens para neutralizar potenciais ameaças.
Os Ministérios da Defesa, do Interior, da Polícia Nacional e das Forças Armadas, em coordenação com todas as entidades e instituições competentes, serão responsáveis pela implementação do decreto.
Exceções ao toque de recolher
A suspensão do direito à livre circulação terá exceções durante o toque de recolher.
Será permitida a circulação de pessoal essencial ligado a serviços de saúde públicos e privados, bem como de agentes da lei, profissionais de gestão de riscos e equipes de resposta a emergências e desastres.
Haverá outras exceções dependendo do contexto de necessidade e emergência para a pessoa que precisar viajar ou se deslocar enquanto a medida estiver em vigor.
Especialistas levantam preocupações sobre toque de recolher
Alguns especialistas em segurança argumentam que o presidente Daniel Noboa está sendo errático ao declarar frequentemente estados de emergência ou toques de recolher, pois, apesar dessas medidas, os homicídios continuam aumentando, a criminalidade está migrando para outras áreas e o país permanece um dos mais violentos da região.
Soma-se a isso a preocupação dos setores produtivos, que estão sofrendo o impacto econômico dessa medida.
“Estamos preocupados. Já vivenciamos um toque de recolher de 15 dias que impactou severamente algumas atividades e empresas”, disse Miguel González, presidente da Câmara de Comércio de Guayaquil, à FM Mundo, afiliada da CNN.
“Estima-se que 73% das empresas com algum tipo de atividade noturna relatam uma redução de 40% nas vendas, e aquelas que operam somente à noite estão registrando perdas de até 70% ou 80%”, adicionou.
Deslocamento da atividade criminosa e capital em “cenário crítico”
No decreto, o governo do Equador reconhece um efeito “pós-toque de recolher” que ocorre quando termina um decreto do tipo e a atividade criminosa é redirecionada para províncias não incluídas na medida.
“Não houve neutralização estrutural, mas sim um deslocamento geográfico das atividades criminosas”, afirma o decreto.
Além disso, sustenta que, embora a medida tenha tido efeitos positivos, a ameaça “não foi totalmente neutralizada”, mesmo nos territórios onde o estado de emergência está em vigor, “com alta concentração de violência letal e persistência do crime organizado”.
O governo afirma ainda que Quito, a capital do país, agora se encontra em um “cenário crítico” em termos de segurança, registrando um aumento contínuo nos índices de violência e criminalidade, bem como uma percepção generalizada de insegurança entre seus habitantes.
O decreto acrescenta que uma luta pelo poder está ocorrendo em Quito entre as gangues criminosas Los Lobos, Los Choneros e Tiguerones, que disputam constantemente o controle das rotas de tráfico de drogas e dos mercados ilícitos.
De janeiro a abril de 2026, foram registrados 2.509 homicídios em todo o país, com a província de Guayas apresentando a maior incidência, com 1.098 homicídios, representando 43,8% do total nacional, segundo relatório do Comando Conjunto das Forças Armadas, citado no decreto.
Por esse motivo, o governo descreve essa província como o “epicentro da violência letal”.
Outro motivo por trás do toque de recolher imposto pelo governo é que grupos armados organizados e grupos do crime organizado diversificaram suas atividades para controlar economias ilícitas além do tráfico de drogas, incluindo mineração ilegal, tráfico ilícito de armas, munições e explosivos, tráfico de hidrocarbonetos, lavagem de dinheiro, contrabando, tráfico de pessoas e contrabando de migrantes.

















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