
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, procurou nesta segunda-feira (4) tirar da Corte parte do ônus político com o caso Master e dividir a responsabilidade do escândalo com outras instituições. Ao reconhecer que o fato gera perplexidade e indignação na sociedade, Gilmar declarou, no entanto, que seria “miopia deliberada” ou ação com “intenções obscuras” se concentrar apenas no tribunal.
“A magnitude do recente escândalo do Banco Master, cujos detalhes vão sendo revelados, vem gerando justas perplexidades e indignação na população e corroendo a reputação de nossas instituições. (…) Pretender resolver a crise de confiança mirando apenas o Supremo Tribunal Federal é, no mínimo, ingenuidade, mas provavelmente miopia deliberada e intenções obscuras”, ressalvou o ministro.
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As declarações do magistrado foram dadas em audiência pública no STF, convocada por Flávio Dino para discutir a capacidade de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em meio ao escândalo financeiro do Master.
Gilmar citou as “emendas parlamentares”, o aperfeiçoamento do sistema eleitoral e a moderação de poderes das Comissões Parlamentares de Inquérito como reformas necessárias no rumo do que chamou de “novo pacto republicano”.
Crise de credibilidade
As investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, levaram o STF a uma crise inédita de credibilidade da Corte. As descobertas apontam ligações entre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, que era dono do banco agora liquidado.
No caso de Toffoli, indícios levam a menções de pagamentos no valor de R$ 35 milhões para uma empresa da família. Já Moraes virou alvo de questionamentos após vir a público um contrato de R$ 129 milhões do escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o banco. Ambos negam irregularidades. Gilmar Mendes tem optado por uma defesa da Corte, ao tratar as suspeitas como ataques às instituições.

















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