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Apresentação com homem nu em universidade federal gera revolta

O vídeo de um homem nu dançando em uma apresentação na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) gerou revolta nas redes sociais esta semana. Nas imagens, um artista, que se apresenta como preto, caiçara, neurodivergente, LGBT+ e doutorando em Educação, aparece sem nenhuma roupa e com o corpo pintado, dançando em uma galeria da instituição.

No sábado (16), após publicação desta reportagem, o artista Alexandre Américo entrou em contato com a Gazeta do Povo para prestar esclarecimentos. Segundo ele, “a nudez presente na encenação está inserida no contexto estético e conceitual do trabalho, sem qualquer conteúdo erótico ou conotação sexual”.

Ele também informou que as sessões teriam classificação indicativa para maiores de 18 anos e que essa informação teria sido previamente divulgada nos materiais de comunicação do espetáculo e no acesso à sala. “Nenhuma criança ou adolescente teve acesso às apresentações”, afirmou.

No entanto, cenas da peça divulgadas em redes sociais provocaram indignação de estudantes e parlamentares.

“Dinheiro público, dinheiro seu, dinheiro meu, sendo utilizado para financiar pornografia”, criticou uma estudante em vídeo gravado nas redes sociais. “Acionei todos os órgãos públicos através da Lei 12.527, que é a Lei de Acesso à Informação, para detalhar quanto foi pago por essa porcaria”, pontuou o vereador Matheus Faustino (União Brasil), da cidade de Natal. A denúncia foi realizada em seu perfil no Instagram.   

De acordo com divulgação realizada pelo site oficial da UFRN, a apresentação artística foi realizada em três sessões, entre os dias 11 e 13 de maio, na Galeria Laboratório, do Departamento de Artes (Deart) da instituição. Com o título “Papangu”, a peça foi oferecida ao público de forma gratuita, com indicação para pessoas com mais de 18 anos.

No entanto, o vereador Faustino argumenta em suas redes sociais que o local da peça não apresentaria nenhuma identificação a respeito da faixa etária indicada e que uma placa teria sido colocada no local após a repercussão negativa do evento.  

“Depois da nossa denúncia, o próprio produtor colocou uma placa de ‘proibido filmar’ e também uma placa que a gente reivindicou de ‘proibido para menores de idade’”, relatou o parlamentar, ao questionar a falta de fiscalização da UFRN e o custo do espetáculo.

“Vasculhamos todos os canais de transparência de todos os órgãos que patrocinaram essa apresentação bizarra e o que encontramos? Nada. Parece que querem esconder o quanto torraram nessa porcaria”, continuou.

Segundo o site oficial da UFRN, oprojeto foi contemplado nos editais de Fomento à Dança e Apoio à Cultura Negra, e realizado com apoio da Fundação José Augusto, Secretaria de Estado da Cultura, Sistema Nacional de Cultura, Política Nacional Aldir Blanc, Ministério da Cultura e Governo Federal.

A Gazeta do Povo entrou em contato com a universidade, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

Nota de esclarecimento do artista Alexandre Américo, na íntegra

O artista Alexandre Américo informa que o espetáculo “PAPANGÚ”, apresentado nos dias 11, 12 e 13 de maio na Galeria Laboratório do Departamento de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), integra uma pesquisa artística desenvolvida há mais de dez anos no campo da dança, da performance e da experimentação corporal.

A obra reúne elementos da dança contemporânea e da performance e aborda questões relacionadas ao corpo, presença e identidade. A nudez presente na encenação está inserida no contexto estético e conceitual do trabalho, sem qualquer conteúdo erótico ou conotação sexual.

Todas as sessões tiveram classificação indicativa para maiores de 18 anos, informação previamente divulgada nos materiais de comunicação do espetáculo e também no acesso à sala em que a performance foi apresentada. Nenhuma criança ou adolescente teve acesso às apresentações.

O espetáculo foi realizado pela produção do artista e apresentado na UFRN. Alexandre Américo é egresso do curso de Dança da instituição, mestre em Artes Cênicas e doutorando em Educação pela universidade. Preto, caiçara, neurodivergente e LGBT+, o artista desenvolve pesquisas em arte contemporânea, dramaturgias contra-coloniais, acessibilidade e performance.

O projeto foi contemplado em editais públicos de Fomento à Dança e Apoio à Cultura Negra, sendo realizado com apoio da Fundação José Augusto, Secretaria de Estado da Cultura, Sistema Nacional de Cultura, Política Nacional Aldir Blanc, Ministério da Cultura e Governo Federal, após processo regular de seleção pública.

Importante ressaltar que conteúdos divulgados nas plataformas digitais e em emissoras de TV desconsideram o contexto integral da obra e omitem informações públicas sobre a classificação indicativa e a proposta artística do espetáculo. As referências à inadequação da apresentação decorrem de desinformação, deturpação do contexto e do significado da obra.

O artista lamenta interpretações precipitadas e manifestações de ódio e intimidação à liberdade de expressão, reafirmando seu compromisso com a pesquisa artística, o diálogo e a liberdade de criação no ambiente democrático.

Alexandre Américo também se coloca à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos necessários sobre o espetáculo e sua proposta.

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