O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta sexta-feira (29) a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, tomada na véspera. O petista ainda chamou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de traidor pelo pedido feito durante a visita ao presidente Donald Trump nesta semana.
“Estou muito triste hoje com a notícia de que o secretários dos Estados Unidos, um tal de Marco Rubio, disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, disparou Lula afirmando que o secretário sequer participou da reunião que ele teve com Trump recentemente.
Lula ainda afirmou que entregou a Trump documentos sobre o que considera como “terroristas”, ou criminosos brasileiros que supostamente estão escondidos nos Estados Unidos, que ele diz que é de onde são trazidas armas e munições contrabandeadas para abastecer o crime organizado.
“Essa tal de CV e PCC eles são terroristas para comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira e povo da periferia. […] Eles não são os terroristas que o Trump quer, como o Osama bin Laden”, seguiu na crítica.
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Ainda durante o discurso em que criticou duramente a decisão do governo dos Estados Unidos, Lula pediu a extradição deputado federal cassado Alexandre Ramagem (PL-RJ), que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por envolvimento na suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Também reafirmou o pedido para a prisão do empresário Ricardo Magro, dono da refinaria Refit e considerado o maior devedor contumaz do país, que mora em Miami.
“Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”, disparou emendando que “não aceitamos ser tratados como moleques, como uma republiqueta”.
Ataque a Rubio e a Flávio Bolsonaro
Ainda durante o discurso contra a decisão dos Estados Unidos, Lula atacou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamando-o de traidor por supostamente articular com Rubio a medida.
“Possivelmente, [o Rubio] estava preparado para ajudar um filho de um bolsonarista que é candidato à eleição aqui que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria de ir aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, disparou.
Posição oficial do Brasil
Há a expectativa de que o governo como instituição se pronuncie oficialmente até o final da tarde sobre a decisão do país norte-americano.
Lula ainda criticou as diferenças políticas existentes hoje no país, de que, quando era candidato, apenas tinha como objetivo trazer de volta a civilidade política.
“Hoje a política está de ódio, viraram inimigas, não adversárias. As pessoas não se toleram”, afirmou em referência a um protesto contra o senador Laércio Oliveira (PP-SE) promovido por petroleiros momentos antes.
Em relação à decisão dos Estados Unidos, assessores e aliados de Lula se pronunciaram, entre eles o diplomata Celso Amorim, conselheiro do presidente para assuntos internacionais. Para ele, a decisão é vista como “pretexto para uma intervenção”.
A declaração do ex-chanceler do Brasil foi ecoada pelo líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados. Para ele, a decisão terá “consequências negativas” ao país, especialmente na economia, afastando investimentos e comprometendo a soberania.
“CV e PCC estão sendo combatidos pelo governo do presidente Lula, estamos pegando o andar de cima do crime organizado, com operações da PF e Receita que estão asfixiando financeiramente essas organizações. […] Eles querem nos vulnerabilizar e abrir espaço para intervenção militar dos EUA no Brasil, querem fazer do Brasil colônia” declarou o parlamentar.
O anúncio de que as facções seriam consideradas terroristas a partir de junho foi feito pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. Ele disse que as organizações criminosas controlam milhares de pessoas e são as “mais violentas do Brasil”.
O PCC e CV se juntam a uma lista de dezenas de outras organizações internacionais consideradas terroristas pelos EUA.
















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