Apucarana, no Vale do Ivaí, no norte do Paraná, iniciou o processo de busca de Indicação Geográfica (IG) do boné, produto principal da indústria e, consequentemente, gerador de empregos do município. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Prefeitura assinaram, no dia 11 de maio, o contrato que formaliza o estudo e prospecção do selo que visa garantir a padronização da qualidade do acessório apucaranense.
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“A expectativa é que até o final do ano pelo menos 60 fábricas, 10% do da indústria boneleira da cidade, iniciem os treinamentos e a metodologia necessária para a conquista do selo. Concluída esta etapa, devemos fazer o depósito do pedido de IG que será analisado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em até dois anos”, diz o consultor do Sebrae/PR, Tiago Cunha.
O processo ainda inclui a abertura de 240 vagas em cursos profissionalizantes em parceria com o Senai. Conforme a Prefeitura, serão investidos aproximadamente R$120 mil para formar mão de obra especializada.
Apucarana é reconhecida oficialmente como a “Capital Nacional do Boné” a partir da Lei Federal nº 12.285/2010. O município concentra mais de 600 indústrias boneleiras e é responsável pela fabricação de 80% desses acessórios no mercado interno brasileiro, de acordo com Arranjo Produtivo Local (APL) de Bonés e Vestuário de Apucarana.
O setor gera 7 mil empregos diretos e 9 mil indiretos e é uma das principais atividades econômicas locais, atrás somente do setor de serviços. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cadeia produtiva dos bonés representa cerca 30% do Produto Interno Bruto (PIB) de Apucarana, com a geração de R$ 300 milhões anuais.

Selo de indicação geográfica pode levar bonés de Apucarana a mercados internacionais
O prefeito Rodolfo Mota (União Brasil) aponta que o reconhecimento vai favorecer à abertura a mercados externos como Europa, Estados Unidos e América Latina.
“Uma certificação de Indicação Geográfica abre muitas portas e ajuda no valor agregado do produto. Se a gente vende mais boné e vende boné mais caro, isso ajuda todo mundo. Ajuda o patrão, ajuda a costureira e ajuda a economia da cidade a se desenvolver”, afirmou o prefeito.
Elizabete Ardigo, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Vale do Ivaí (Sivale), considera a importância do selo para o município. “Com a IG, o setor ganha ainda mais proteção, competitividade e valorização de mercado, fortalecendo a identidade de um segmento que gera empregos, movimenta a economia e projeta o nome de Apucarana para todo o Brasil”, disse a presidente.
Jayme Leonel, presidente do Arranjo Produtivo Local de Bonés e Confecções de Apucarana chamou atenção à produção local. “Nós produzimos cerca de 3 a 4 milhões de bonés/mês, dependendo da época do ano. A IG vai melhorar, ampliar a qualidade, fazer com que mais pessoas se interessem em fazer produtos de boa qualidade”, afirmou.

Processo de certificação exige estudos, regras e organização do setor
O consultor do Sebrae explicou que o processo de construção de uma Indicação Geográfica exige organização setorial, governança, padronização, construção de identidade territorial e comprovação técnica da reputação daquele território em relação ao produto.
“O primeiro passo normalmente é o reconhecimento coletivo da vocação regional. Isso significa identificar que existe uma concentração produtiva relevante, uma reputação consolidada e características que diferenciam aquele produto no mercado. A partir disso, inicia-se um processo de mobilização das empresas, entidades e lideranças locais para construir uma governança capaz de conduzir o projeto”, afirmou o consultor.
Na sequência, é realizado um amplo levantamento técnico e histórico do território. São produzidos estudos que demonstram a relação entre o produto e a região, evidenciando fatores como tradição produtiva, geração de empregos, especialização da mão de obra, desenvolvimento tecnológico, identidade econômica local e reconhecimento do mercado.
“Outro passo importante é a estruturação do regulamento de uso da Indicação Geográfica. Esse documento estabelece regras claras sobre quem poderá utilizar o selo, quais critérios precisam ser atendidos e quais padrões deverão ser mantidos pelas empresas participantes. Isso é essencial para garantir credibilidade ao processo e preservar a reputação coletiva construída pelo território”, conclui Cunha.

















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