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Irmã de Sicário disse ter material para “acabar com a família inteira” de Vorcaro

Relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) mostra que Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, teria ameaçado expor informações que poderiam “acabar com a família inteira” de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O ministro André Mendonça, relator do caso, retirou o sigilo dos documentos nesta terça-feira (16).

Sicário se matou após ser preso na terceira fase da Operação Compliance Zero. Joana reclamou da situação financeira da família após o falecimento do irmão em um grupo de WhatsApp com o bicheiro Manoel Rodrigues, conhecido como Manolo, que atuava para a família do banqueiro.

Em abril, ela escreveu no grupo: “HV não se manifesta com nada $”, em referência ao pai banqueiro, Henrique Vorcaro. “Acabo com a delação do filho, do cunhado e ainda jogo ele atras das grades tbm”, acrescentou.

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“Penhorou os 3 vales e colocou o dinheiro do meu irmão pra dentro e deixou a gente na miséria. Estou mto perto do abismo. E se eu for tenho como levar ele [Henrique Vorcaro] junto. Acabo com a delação do filho, do cunhado e ainda jogo ele atrás das grades tbm (sic). Eu tenho material pra acabar com a família inteira”, afirmou Joana.

Joana relatou que ela e a mãe teriam recebido vídeos exibindo fuzis acompanhados de mensagens diretas de que seriam mortas. Segundo a irmã de Sicário, as ameaças de morte, somadas a pressões para serem presas ou sofrerem golpes, a levaram a um estado de debilidade física, chegando a pesar apenas 45 kg por não conseguir comer ou dormir.

Ela atribui diretamente à “família maldita” de Vorcaro a responsabilidade pela morte de seu irmão e pela situação financeira em que se encontra, enquanto os investigados estariam “vivendo como reis”.

Ela afirmou estar disposta a levar as provas a público, citando especificamente programas de grande alcance nacional. “Domingo já coloco tudo no Fantástico e no Cabrini dessa família maldita!!!”, escreveu ela em uma das mensagens.

Para a PF, essa postura gerou pânico entre os alvos da investigação, que viam nela uma “menina descontrolada” e “doida” capaz de destruir o esquema. Diante da ameaça, Manolo com a anuência de Henrique Vorcaro teria atuado para comprar o silêncio dos familiares de Sicário.

Documentos e mensagens indicam tratativas urgentes para transferir contratos de ativos e repassar recursos financeiros para Joana e sua mãe, visando “estancar” a crise e garantir que o material do iCloud nunca chegasse às mãos da PF. O bicheiro se reuniu com as duas e relatou ao pai do banqueiro.

“Henrique boa noite, estamos conversando com a mãe aqui (…) vamos passar os contratos dos ativos pertinentes ao nosso amigo, no nome dela mãe, para resolver a questão, amanhã dr André já entrará em contato com o dr Thiago para alinhar isso”, disse Manolo.

“Foi bom?”, pergunta Henrique Vorcaro. “Graças a dr André”, responde Manolo. Esse episódio foi uma das justificativas utilizadas pela PF para pedir a prisão preventiva de Henrique. Até a deflagração das fases mais recentes da operação, a PF monitorava essas transferências, que, além de servirem para calar testemunhas, podem configurar novos crimes de lavagem de dinheiro.

“Rússia do Putin”

A investigação aponta que Manolo comandava uma estrutura de segurança altamente agressiva, composta por pessoal treinado, veículos blindados e armamento de alto potencial lesivo.

Em uma interceptação, interlocutores descreveram o ambiente de uma reunião com o grupo como a “Rússia do Putin”, devido à ostensividade do armamento.

Manoel chegou a ironizar que seus seguranças, em vez de transmitirem proteção, deixavam os visitantes “assustados” e sem conseguir abrir a boca de tanto medo.

Em outras conversas, Mendes revelou métodos brutais, mencionando o uso de snipers (atiradores de elite) para sua proteção pessoal em reuniões de rescisão de contratos e declarando hostilidade aberta contra policiais militares, afirmando que “PM bom é debaixo de 7 palmos”.

Ameaças a ex-funcionários

A PF identificou episódios de ameaças contra ex-funcionários de Daniel Vorcaro em Angra dos Reis, evidenciando que o grupo agia sistematicamente à margem do Estado para punir qualquer um que contrariasse seus interesses.

Além disso, a apreensão de documentos internos da própria Polícia Federal na casa de Henrique Vorcaro sugere que o grupo possuía informantes infiltrados na corporação para monitorar investigações e alvos de interesse.

A Gazeta do Povo entrou em contato com a defesa de Daniel Vorcaro via e-mail e tenta contato com as defesas dos demais citados. O espaço segue aberto para manifestações.

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