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Onda direitista na América do Sul e pacto liderado por Donald Trump isolam Lula

O mapa político da América do Sul passa por reorganização histórica rumo à direita, com impactos para o Brasil. As vitórias de Keiko Fujimori (Peru) e de Abelardo de la Espriella (Colômbia) consolidam novo arranjo regional, suplantando a dominância de governos de esquerda.

O movimento se soma à consagração de governantes conservadores já instalados em países como Argentina, Paraguai e, mais recentemente, Chile. No cenário ideológico do subcontinente, o azul representando a direita avança e expõe antigos bastiões vermelhos da esquerda como Uruguai e o Brasil de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As exceções que restam ficam ao norte, como a ditadura venezuelana, Suriname e as Guianas. O Brasil, que ainda decidirá neste ano se continua vermelho ou se muda para o azul na fotografia regional, já parece sofrer de um isolamento político crescente, em razão de posturas do governo petista.

Esse isolamento não decorre só do tom de enfrentamento nas campanhas eleitorais. Ele nasce, sobretudo, de uma agenda de segurança hemisférica liderada pelos Estados Unidos, que voltou a tratar o narcotráfico como grave ameaça externa, com efeitos políticos, diplomáticos, policiais e financeiros.

Classificação de PCC e CV como organizações terroristas empareda Lula

O presidente americano Donald Trump opera no território latino-americano sob a égide da guerra ao crime transnacional. Nessa toada, a reclassificação pela Casa Branca de PCC e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas foi um golpe contra as facções brasileiras e uma derrota política para Lula.

O governo brasileiro protestou forte contra o novo status das multinacionais do crime, apelando ao discurso de defesa da soberania nacional. Mas para a oposição de direita a decisão americana foi pedida e endossada, sendo incorporada à campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A prisão nos últimos dias, após perseguição policial nos Estados Unidos, de um brasileiro acusado de ligação com PCC e CV reforçou a percepção de que Washington já encara as maiores facções brasileiras como problema interno americano. Mais desdobramentos jurídicos e diplomáticos são esperados.

Sob Trump, os EUA militarizaram o combate ao crime na América Latina, protagonizando operações que levaram à captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, preso por narcoterrorismo, e à morte de “Niño Guerrero”, líder do cartel venezuelano Tren de Aragua, e de narcotraficantes no México.

A ofensiva de Trump contra os esquemas de tráfico e lavagem de dinheiro se conecta a uma política mais ampla dele para a América Latina. Ela inclui pressão contra cartéis, ações contra redes transnacionais, apoio a aliados conservadores e tentativa de exportar a agenda de segurança salvadorenha.

Escudo das Américas já amplia a pressão dos EUA contra facções

Símbolo da reconfiguração política regional, o Escudo das Américas é uma iniciativa de cooperação em segurança liderada pelos EUA para integrar ações de inteligência, controle de fronteiras e combate ao narcotráfico, ao crime organizado transnacional e ao terrorismo em países do continente.

Paraguai e Argentina foram uns dos primeiros a aderir ao pacto e a também classificar facções brasileiras como terroristas, aumentando a pressão sobre Brasília. Até o escândalo do Banco Master vira alvo das investidas conjuntas contra o crime, em razão das suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC.

A eventual queda do regime cubano, sob pressão americana, teria impacto simbólico profundo para o Lula e o PT. Somada ao avanço conservador e à frente antidrogas, o episódio reforçaria a impressão de que a maioria das nações da América Latina está inclinada a sepultar regimes esquerdistas.

A recente fala de Lula à diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, vazada na cúpula do G7, confessando que “nunca foi esquerdista”, pode ser vista como esforço para adaptar-se ao novo ambiente geopolítico do Ocidente. Ela ocorre quando o clube da esquerda latino-americana encolhe.

A guinada na política externa dos EUA a partir da gestão Trump, marcada pelo corte de recursos destinados à Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), coincidiu com a sequência de vitórias eleitorais de candidatos alinhados à direita em países da América Latina.

Desde 2025, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Honduras, Colômbia e Costa Rica passaram a ser governados por líderes chamados por setores da imprensa mundial de “ultradireita”. Os presidentes José Antonio Kast (Chile), Rodrigo Paz (Bolívia), Keiko Fujimori (Peru), Daniel Noboa (Equador), Nasry Asfura (Honduras), Abelardo De la Espriella (Colômbia) e Laura Fernández (Costa Rica) são os rostos da mudança no cenário político regional.

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