
O regime islâmico do Irã atacou nesta quinta-feira (25) um navio cargueiro que tentava atravessar o Estreito de Ormuz por uma via marítima coordenada por uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) e por autoridades de Omã.
Segundo dois altos funcionários americanos ouvidos pelo jornal Wall Street Journal, a Guarda Revolucionária do Irã atacou o navio Ever Lovely, de bandeira de Singapura, perto da costa de Omã. A embarcação teve danos na ponte de comando, mas não houve feridos, de acordo com o centro britânico de operações marítimas UKMTO.
O Washington Post também informou, com base em dois funcionários do governo dos Estados Unidos, que o navio foi atacado pelo Irã. Um deles afirmou que a embarcação foi atingida por um drone iraniano. Já o New York Times confirmou, citando um funcionário americano, que o navio foi atacado enquanto transitava pela via no Estreito de Ormuz.
O ataque ocorreu horas depois de a Marinha da Guarda Revolucionária iraniana avisar que apenas rotas autorizadas por Teerã seriam consideradas seguras para a passagem de embarcações pelo estreito. Segundo a mídia estatal iraniana, a força militar classificou outros corredores na rota como “inaceitáveis” e “completamente perigosos”.
A rota onde o cargueiro foi atingido passava pela parte sul do Estreito de Ormuz, próxima à costa de Omã, e vinha sendo usada por navios que tentavam deixar o Golfo Pérsico após semanas de bloqueio e tensão na região. De acordo com as informações, a rota havia sido organizada com participação da Organização Marítima Internacional (IMO), agência da ONU, e de autoridades omanenses.
A ação coloca em xeque os esforços das autoridades internacionais para retomar a circulação de navios pelo estreito. Segundo a empresa de monitoramento Kpler, cerca de 70 embarcações atravessaram a passagem nesta quarta-feira (24), incluindo 29 petroleiros, no dia de maior movimento desde o início da guerra.
O aumento no tráfego ocorreu depois que Estados Unidos e Irã assinaram, na semana passada, um memorando de entendimento para tentar encerrar de forma definitiva a guerra e reabrir a passagem marítima. De acordo com o Wall Street Journal, o acordo prevê que Teerã fizesse esforços para garantir a passagem segura de embarcações comerciais no Ormuz por 60 dias.
Após o ataque, a Organização Marítima Internacional informou que decidiu suspender temporariamente o plano de retirada de navios e tripulantes que continuam presos na região. Segundo a BBC, o plano envolvia a evacuação de mais de 11 mil marinheiros retidos no Estreito de Ormuz.
O secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, afirmou que a pausa foi necessária para confirmar se as garantias de segurança continuavam válidas para os navios incluídos no plano de evacuação e para as demais embarcações na região.
Segundo o Wall Street Journal, o Ever Lovely havia ficado preso no Golfo Pérsico por mais de 100 dias antes de tentar atravessar o estreito. A embarcação havia carregado mercadorias em Umm Qasr, no Iraque, e seguia em direção a Singapura.
















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