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Paulo Figueiredo pedirá fim de tarifa e volta da Magnitsky aos EUA

O depoimento do jornalista Paulo Figueiredo perante o Comitê da Seção 301 do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), marcado para o próximo dia 6 de julho, deve solicitar a suspensão e a reavaliação da proposta de aplicação de uma tarifa de 25% sobre a economia brasileira. Em lugar disso, Figueiredo proporá que os EUA voltem a aplicar a Lei Magnitsky a “alvos direcionados”. Figueiredo antecipou seu discurso.

A investigação americana da USTR analisa políticas do Brasil no comércio digital, na proteção da propriedade intelectual, na produção de etanol, no desmatamento ilegal e no combate à corrupção. Figueiredo, que reside nos EUA e foi alvo de sanções e processos do Supremo Tribunal Federal (STF) — em especial do ministro Alexandre de Moraes — devido às suas ações em solo americano, argumentará que a imposição de “tarifas generalizadas” seria um “erro estratégico” que atinge os alvos errados.

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Tarifas punem povo e não governo

Segundo o jornalista, o mais importante seria que a medida “não afeta os responsáveis” pelas ordens secretas de censura contra plataformas e cidadãos americanos. Em vez disso, o ônus financeiro recairia sobre os exportadores brasileiros, consumidores e importadores americanos, além dos próprios cidadãos, que já “sofrem com a censura”.

“A tarifa de 25% pune as vítimas dessa conduta, recompensaria seus autores e avançaria no oposto da própria estratégia hemisférica declarada dos Estados Unidos”, afirmou Figueiredo.

O depoente também alertará, de acordo com o documento, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “utiliza a hostilidade com Washington” para angariar apoio político interno sob a bandeira do patriotismo, fortalecendo a guinada do país em direção à China e ao bloco do BRICS.

Alinhamento com a China

O jornalista destacou que a pressão tarifária impulsiona o Brasil a estreitar ainda mais os laços comerciais com Pequim, contrariando a Estratégia de Segurança Nacional dos EUA. Dados apresentados indicam que o comércio entre Brasil e China atingiu o recorde de US$ 171 bilhões em 2025. Com o início das tensões tarifárias, o mercado chinês absorveu cerca de um terço das exportações brasileiras redirecionadas.

A proximidade das eleições brasileiras de outubro de 2026 também foi apontada como um fator crítico. Para Figueiredo, implementar a tarifa às vésperas do pleito daria uma “vantagem decisiva” aos atuais governantes por meio de uma narrativa nacionalista.

Sanções “direcionadas”

Como alternativa às tarifas econômicas, Figueiredo defendeu a retomada e a expansão de “sanções individuais e direcionadas”. Ele citou que ferramentas como a Lei Magnitsky e restrições de vistos já foram aplicadas anteriormente pelos Departamentos do Tesouro e de Estado, contra o ministro do STF responsável e contra seus familiares, mas criticou tais medidas terem sido suspensas em dezembro sem contrapartidas do governo brasileiro.

“As ferramentas direcionadas atingem o infrator, poupam a economia e o povo, e se alinham com a política externa americana”, concluiu.

Figueiredo reside continuamente desde 2019 nos EUA, de onde articula com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro conversas com o governo dos EUA, aproveitando uma antiga aproximação com Donald Trump. Ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por suposta coação no processo que julgava no Supremo Tribunal Federal (STF) a chamada “trama golpista” do 8 de janeiro de 2023.

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