A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta minimizar o desgaste provocado pela divulgação de fotos do petista ao lado da empresária Roberta Luchsinger. A lobista é investigada pela Polícia Federal e apontada como próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Em nota divulgada após a repercussão das imagens, a equipe do presidente afirmou que registros fotográficos feitos durante campanhas e agendas públicas não significam necessariamente uma relação pessoal, profissional ou política.
“O presidente Lula é uma figura pública que, ao longo de sua trajetória e especialmente em campanhas e agendas públicas, é abordado por inúmeras pessoas para registros fotográficos. A existência desses registros não significa relação pessoal, profissional ou política”, afirmou a campanha.
A manifestação ocorreu um dia depois de Lula afirmar, durante entrevista ao Jornal Nacional, que nunca havia visto Roberta. Questionado pela jornalista Renata Vasconcellos sobre a empresária, o presidente negou qualquer relação com ela e afirmou que nunca havia conversado ou mantido contato próximo com Roberta.
“Não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça. Ela nunca esteve próxima de mim”, disse Lula.
Após a entrevista, fotografias do presidente ao lado da empresária passaram a circular nas redes sociais. Roberta publicou pelo menos uma dezena de registros com Lula em seu perfil, incluindo imagens relacionadas à campanha eleitoral de 2022.
Em uma das fotografias, os dois aparecem fazendo o gesto de “L” usado por apoiadores de Lula. Em outra publicação, de agosto de 2023, Roberta comemorou a indicação de Daniela Teixeira ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e elogiou a escolha feita pelo presidente. Em novembro de 2022, ela também publicou uma mensagem parabenizando Lula pelo aniversário.

Empresária é investigada pela PF
Roberta Luchsinger é investigada pela Polícia Federal por suspeitas de tráfico de influência. Em uma troca de mensagens recuperada pelos investigadores, a empresária afirmou que Lula teria oferecido a ela um cargo no governo.
Durante a entrevista ao Jornal Nacional, o presidente negou a afirmação e chamou Roberta de “pilantra”.
“Só faltou ela dizer que eu ofereci a ela o Ministério da Defesa, o comando da Marinha, o Itamaraty. É de uma imbecilidade. Eu não conheço essa moça, eu nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próxima de mim”, afirmou.
A empresária também foi alvo de busca e apreensão em dezembro de 2025, durante a Operação Sem Desconto, que investiga descontos ilegais em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A partir da análise do celular apreendido, os investigadores apontaram que Roberta teria trabalhado para Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e seria próxima de Lulinha.
Em depoimento à PF, em maio deste ano, Roberta admitiu ter apresentado o filho do presidente ao “Careca do INSS”, mas negou ter feito qualquer repasse de valores a Lulinha. O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu três inquéritos contra Lulinha para investigar suspeitas de tráfico de influência.
Campanha diz que Lula não tinha interlocução com Roberta
Na nota divulgada após a repercussão das fotos, a campanha de Lula afirmou que a fala do presidente no Jornal Nacional se referia à ausência de relação pessoal ou de interlocução com Roberta.
“Foi esse o sentido da resposta dada pelo presidente na entrevista ao Jornal Nacional: Lula não mantém qualquer relação com Roberta Luchsinger e nunca teve interlocução com ela”, afirmou a equipe.
Após a repercussão negativa nas redes sociais, uma das estratégias da campanha passou a ser a tentativa de dissociar os registros fotográficos de qualquer relação política ou pessoal entre Lula e a empresária. A justificativa dentro do PT é que, por ser uma figura pública, o presidente é frequentemente abordado para fotografias durante eventos e atividades de campanha.

















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