O senador Carlos Viana (PSD-MG) informou nesta terça-feira (1º) ter solicitado ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), a realização urgente de uma sessão no plenário da Casa. De acordo com o parlamentar, o trabalho deve contar com a presença do ministro do Supremo Alexandre de Moraes.
Além dele, outros parlamentares de oposição ao governo Lula falam em colocar o presidente do Senado “sob pressão” para pautar o impedimento do magistrado. A intenção é obrigar Moraes a prestar esclarecimentos sobre os fatos noticiados que envolvem ele e a família ao Banco Master.
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Fatos novos
As novas revelações sobre as mensagens, que a investigação da Polícia Federal atribui ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro provocaram esta reação dos parlamentares da oposição. Nestas conversas, Vorcaro teria pedido ajuda ao ministro antes de sua prisão e demonstrado também preocupação com possíveis ações PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
“Não podemos mais esperar, acabo de pedir o impeachment de Alexandre de Moraes. Alcolumbre terá de escolher, ou pauta o impeachment ou assume publicamente que atua para blindar o ministro”, disse Viana no X.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) propôs que a oposição faça uma “obstrução total” no Senado.
“A REPÚBLICA ESTÁ EM XEQUE! Propus hoje uma obstrução total no Senado. Não vamos votar NENHUMA PEC ou projeto de lei até que o ministro Alexandre de Moraes renuncie ou sofra impeachment. As denúncias de hoje sobre o contrato de R$ 131 milhões e a blindagem institucional são inadmissíveis. Chega de omissão!”, escreveu ela no X.
Líder da oposição na Câmara, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que as mensagens reforçam a necessidade de um novo pedido de impeachment contra Moraes. “São provas concretas da sua atuação ilegal com o banqueiro Vorcaro”, declarou. De acordo com ele, a oposição pretende apresentar uma nova solicitação e cobra que o Senado avance sobre o tema: “Esperamos que o Senado Federal agora faça sua parte. Não dá mais”.
Gaspar defende afastamento cautelar
Já o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, defendeu o afastamento cautelar de Moraes diante da gravidade dos indícios.
“Diante de indícios tão sérios, o afastamento cautelar de Alexandre de Moraes seria o caminho mais acertado para garantir a independência e a transparência das investigações”, declarou. Ele também manifestou solidariedade ao ministro André Mendonça, que teria sido confrontado após determinar o aprofundamento das investigações: “Ninguém pode estar acima da lei. Ninguém!”.
O deputado Sanderson (PL-RS), candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, afirmou que a Casa “não pode mais se esconder” diante de denúncias sobre contratos milionários, autoridades e mensagens atribuídas a Vorcaro sobre uma suposta “proteção” junto à PF e à PGR. Para ele, é necessário investigar os fatos com transparência para garantir que “ninguém esteja acima da lei”.
Na mesma linha, o deputado Rodrigo Valadares (PL-SE), candidato ao Senado por Sergipe, classificou as revelações como “gravíssimas” e defendeu uma investigação rigorosa, com respeito ao devido processo legal. Segundo ele, Moraes deve sofrer impeachment e, caso sejam comprovados os crimes atribuídos a ele, responder na forma da lei. “O Senado Federal não pode se omitir e precisa cumprir o seu papel constitucional”, afirmou.
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) também classificou os vazamentos envolvendo o Banco Master como “gravíssimos” e citou, além das mensagens atribuídas a Vorcaro, outras denúncias envolvendo pessoas próximas a autoridades. Para ela, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deveria abrir o processo de impeachment contra Moraes. “Diante de tudo o que está vindo à tona, não basta pedir explicações. Davi Alcolumbre precisa honrar o Senado e abrir o processo de impeachment de Alexandre de Moraes”, declarou.
O senador Izalci Lucas (PL-DF) também defendeu a apuração das denúncias, mas avaliou que um processo de impeachment no momento não teria votos suficientes para avançar. Segundo ele, a oposição conta atualmente com 26 senadores, enquanto seriam necessários 41 votos para a abertura do processo e 54 para o afastamento. “Qualquer pedido de impeachment votado agora só vai fortalecer [o ministro], porque nós vamos perder no voto”, afirmou. Para Izalci, a estratégia deve ser ampliar a bancada de oposição nas próximas eleições a fim de criar condições políticas para pautar o processo.

















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