O governo federal apresentou nesta segunda-feira (31) a Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 prevendo, pela primeira vez em cinco anos, um superávit primário.

O resultado tem peso simbólico e político, mas depende de premissas para crescimento e inflação mais otimistas do que as projeções do mercado. A proposta prevê um superávit primário de R$ 83,4 bilhões, equivalente a 0,56% do PIB. Porém, quando são descontadas as exceções previstas no arcabouço fiscal, o resultado considerado para a meta cai para R$ 18,6 bilhões (0,13% do PIB).

Na proposta, o governo trabalha com uma projeção de crescimento de 2,46% do PIB em 2027. No entanto, a mediana das previsões divulgadas nesta segunda pelo Relatório Focus — pesquisa do Banco Central que reúne as estimativas de bancos e outras instituições financeiras — é de apenas 1,5%.

Os sinais de desaceleração da economia, entretanto, estão se intensificando. Dados do IBGE divulgados nesta terça-feira (1º) mostram que o PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 na comparação com o trimestre anterior, acumulando alta de 1,9% nos últimos quatro trimestres, o menor resultado em cinco anos.