A estratégia da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para lidar com a crise do Supremo Tribunal Federal (STF), após a divulgação das mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, é clara: distanciar-se até onde for possível e, quando questionado, repetir o discurso de que cada um deve responder por seus atos — a resposta-padrão de Lula diante de escândalos que atingem seu entorno.

Na noite desta quinta-feira (3), Lula publicou um vídeo nas redes sociais no qual tenta chamar para o seu governo o mérito pelas investigações do escândalo do Banco Master. Na publicação, o presidente defendeu as apurações contra quaisquer autoridades e se manteve descolado da figura de Moraes.

Esse também foi o tom de um vídeo publicado pelo presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, um dia antes. Sem citar diretamente Moraes ou Vorcaro, Edinho afirmou que o “sistema apodreceu” e defendeu mudanças no sistema político e judicial, além de dizer que “ninguém está acima da lei”, incluindo integrantes do Judiciário.

Nos bastidores, no entanto, a ideia é conter a crise. Na terça-feira (1º), Lula recebeu Gilmar Mendes no Palácio do Planalto e, na mesma noite, reuniu-se com o presidente do STF, Edson Fachin, no Palácio da Alvorada. Flávio Dino também participou das conversas.