
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça defendeu a necessidade de o Poder Judiciário honrar a confiança da população. A declaração surge na semana em que é deflagrada uma das maiores crises na história da Corte (relembre mais abaixo).
A fala ocorreu na manhã de quinta-feira (3) na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, durante a cerimônia de celebração e assinatura do Pacto Nacional pela Paz e Tolerância nas Eleições 2026.
O evento reuniu representantes da Justiça Eleitoral, organizações religiosas, sociedade civil, Ordem dos Advogados do Brasil, Ministério Público e Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, o magistrado exercia a função de ministro e vice-presidente do TSE e não chegou a citar nominalmente o ministro Alexandre de Moraes ou o episódio envolvendo o caso Master.
Mendonça atribuiu às instituições presentes parte da responsabilidade pelo processo eleitoral, demonstrando a importância e a segurança do voto. O magistrado destacou a importância das entidades para o país e desejou êxito no pleito.
“Que nós possamos honrar a confiança que o principal, que é o povo, o cidadão, deposita, não só em nós, mas também em cada um dos senhores e das senhoras”
André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
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Moraes usa inquérito das fake news e leva a Fachin acusações contra Mendonça
No mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes decidiu reagir a Mendonça, que levantou o sigilo de um relatório com mensagens de Daniel Vorcaro ao contato “Alexandre de Moraes”, além do registro de reuniões e contratos com o escritório Barci de Moraes.
Um dos pontos levantados pela PF é o acesso antecipado de Mendonça ao acervo probatório bruto, em formato compatível com o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), antes da triagem e da análise pela equipe policial. Segundo o relatório, a medida colocaria o ministro em posição de explorar diretamente o conteúdo das provas.
O documento classifica como ainda mais grave uma suposta tentativa de retirar dos delegados a supervisão técnica sobre análises produzidas por servidores da PF. Segundo o relatório, isso permitiria que inferências dos analistas chegassem aos autos sem a revisão da autoridade que preside a investigação
“Nem à defesa se assegura, de forma irrestrita, o fornecimento da integralidade dos dados brutos no formato das ferramentas investigativas – o que reforça a leitura de que o resultado prático do comando é a atuação do julgador como investigador”, diz a citação.
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O começo da crise: Mendonça levanta sigilo
Na terça-feira (1º), André Mendonça determinou a suspensão do sigilo de um relatório que foca em Moraes e seus familiares. O magistrado enviou o caso ao ministro do Supremo, Edson Fachin, com o pedido por uma sessão pública e início de investigações.
O relatório possui mensagens de Vorcaro que utilizavam um expediente incomum: o banqueiro escrevia em seu bloco de notas, tirava um print e, em seguida, enviava as imagens ao destinatário.
O contato “Alexandre de Moraes” aparece em 52 das mensagens. Em uma delas, há o reforço de que se trata de fato do ministro do Supremo: em 30 de outubro de 2025, o contato recebe: “Fala meu caro, tudo bem? Como está aí em Madrid? Semana que vem vai estar no Brasil?”. De acordo com o próprio Supremo, o ministro esteve de 28 a 30 de outubro de 2025 no sexto Congresso da Conferência Mundial sobre Justiça Constitucional, promovido pelo Tribunal Constitucional da Espanha.
Daniel Vorcaro foi preso na noite de 17 de novembro de 2025, uma segunda-feira, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, enquanto tentava embarcar para Dubai. A ordem foi assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília. No sábado anterior, Vorcaro envia uma mensagem a Moraes:
“Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?“.
Fachin diz que anunciará providências no momento adequado
O presidente do Supremo, Edson Fachin, divulgou nota antes da reação de Moraes. Para Fachin, as revelações “reclamam o devido encaminhamento constitucional”. O magistrado colocou lado a lado a “atuação processual” e “sérios elementos de fatos” para alegar que agirá com “serenidade, responsabilidade e firmeza”.
“A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal”, conclui.
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