
A oposição pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que apure eventual impedimento ou suspeição do ministro Alexandre de Moraes e avalie possíveis nulidades em atos praticados por ele em processos relacionados ao 8 de Janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A manifestação foi protocolada nesta quinta-feira (3) e é assinada pelo deputado federal Zé Trovão (PL-SC), vice-líder da oposição na Câmara. O objetivo, de acordo com ele, é preservar elementos de prova para avaliar o impacto das descobertas recentes sobre a relação com Daniel Vorcaro nas ações julgadas pelo ministro. O parlamentar destaca que não pretende antecipar a conclusão de que Moraes tenha cometido alguma irregularidade.
Zé Trovão argumenta que, se os fatos do caso Master forem considerados capazes de comprometer a imparcialidade de Moraes, o STF deverá identificar desde quando esse problema existiria e revisar os atos praticados pelo ministro a partir desse marco. A representação cita expressamente os processos de Jair Bolsonaro e do 8 de Janeiro, mas não pede a anulação automática das condenações: quer que a Corte verifique individualmente quais decisões dependeram de atos eventualmente inválidos.
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Mendonça expôs relatório e Moraes reagiu com acusações no inquérito das fake news
O Supremo vive uma semana marcada pela escalada da tensão entre Moraes e o ministro André Mendonça. Na terça-feira (1º), Mendonça levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que detalha diálogos e encontros com o dono do Banco Master. No mesmo dia, Moraes utilizou o inquérito das fake news para determinar que a PF enviasse todos os relatórios que mencionam algum membro da Corte.
Como resultado, o ministro obteve materiais relacionados a si próprio e aos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques. O foco, no entanto, foi em Mendonça. Moraes reproduziu relatórios de inteligência que atribuem ao colega avanço sobre competências da PF, problemas na preservação e análise das provas e direcionamento de alvos por motivos pessoais e políticos.
Vorcaro usava um expediente incomum nas conversas: em vez de digitar diretamente no aplicativo, escrevia mensagens no bloco de notas, tirava uma captura da tela e enviava a imagem ao contato identificado como “Alexandre de Moraes”.
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Vorcaro pergunta sobre “estar fora” e cita juiz que determinou sua prisão
O conteúdo revela que o banqueiro consultou o ministro dias antes de ser preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na noite de 17 de novembro de 2025. O trecho chega a citar o juiz que emitiria o mandado Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília.
“Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?“, escreveu.
No minuto seguinte, pergunta:
“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília”.
Na véspera de sua prisão, Vorcaro envia uma mensagem ao contato “Alexandre de Moraes” marcando um encontro para as 14h e questionando: “passo na sua casa ou prefere na minha?”.
As conversas se intensificaram no período e chegaram a minutos antes da prisão. O banqueiro contou que iria “assinar com os investidores”, mas que se manteria online. Depois, foi surpreendido pela polícia, que já monitorava sua movimentação e o interceptou antes do embarque.
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“Como está aí em Madrid?” Mensagem coincide com agenda pública do ministro
Antes disso, em 30 de outubro, o contato recebe: “Fala meu caro, tudo bem? Como está aí em Madrid? Semana que vem vai estar no Brasil?”. De acordo com o próprio Supremo, o ministro esteve de 28 a 30 de outubro de 2025 no sexto Congresso da Conferência Mundial sobre Justiça Constitucional, promovido pelo Tribunal Constitucional da Espanha.
No mesmo dia, Vorcaro informa a Moraes que teve informações confidenciais do Banco Central (BC) de que seu presidente, Gabriel Galípolo, e outros diretores estariam sendo pressionados pela PF e pelo Ministério Público Federal (MPF) a tomarem alguma medida contra o Banco Master. Diante disso, o banqueiro faz um apelo:
“É importante reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem, que aí vai tudo pro saco. […] Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que farão algo em breve”.
Dez minutos depois, surge uma lista com cinco nomes da PF e três do MPF. Sete deles são identificáveis:
- Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF;
- Janaína Palazzo, delegada que conduziu o depoimento de Vorcaro;
- Ubiratan Cazetta, procurador da República;
- Gabriel Pimenta Alves, procurador da República ligado à apuração do caso Master;
- Wilker Goulart, agente da PF;
- Guilherme Alves, delegado da PF;
- Daniel de Brito, procurador da República;
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Fachin conduzirá apuração à parte
Agora, o presidente do Supremo, Edson Fachin, abriu um procedimento à parte para averiguar os dois lados, retirando os fatos do inquérito das fake news. O ministro deu cinco dias para que os envolvidos se manifestem. De acordo com fontes ouvidas pela Gazeta do Povo, Fachin deve colocar o conflito em pauta apenas em novembro, por conta das eleições e para que tenha tempo para tentar uma conciliação entre os ministros.
O ministro já havia despachado após o movimento de Mendonça. Após a reação de Moraes, no entanto, complementou sua determinação, incluindo as acusações do relator do inquérito das fake news. No dia seguinte à deflagração da crise, o magistrado afirmou que “a elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal”.

















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