O ministro André Mendonça avança sozinho no Supremo Tribunal Federal (STF) em um ato de coragem individual para dar visibilidade aos elementos encontrados pela Polícia Federal sobre a relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A avaliação é de juristas ouvidos pela reportagem.

Ao retirar o sigilo do relatório de 218 páginas e defender que uma investigação seja aberta no plenário da Corte, Mendonça se amparou no princípio da transparência e da publicidade dos atos processuais, mas ficou isolado e atraiu ações de retaliação de outros ministros.

A mais evidente foi a tentativa de Moraes de investigar Mendonça usando o inquérito das Fake News. O presidente do STF, Edson Fachin, cancelou o ato e abriu uma investigação sob sua tutela, em uma aparente tentativa de abafar a crise.

Mas isso não facilita muito a vida de Mendonça. Na avaliação de especialistas, o ministro atua em um ambiente no qual Moraes tem muito respaldo político e institucional. Isso reduz a possibilidade que o Supremo ou o meio político adotem medidas contra ele mesmo diante de evidências claras de que Moraes recebeu milhões de reais para possivelmente beneficiar Vorcaro.