O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin revelou que já recebeu, em seu gabinete, um procedimento contra um de seus colegas. De acordo com o magistrado, o ofício da Polícia Federal (PF) teria sido remetido ao presidente à época, Luís Roberto Barroso. O magistrado deu o número do processo, que é físico e está sob sigilo. A Procuradoria-Geral da República (PGR) teria pedido o arquivamento.

“Não cabia a mim, naquele momento, concordar ou não com a manifestação que fora apresentada pelo órgão ministerial. […] Aqui, nós temos a possibilidade de verificar, a partir da questão de ordem que foi suscitada, qual é a posição do titular da ação penal e, consequentemente, da investigação”, completou.

Zanin ainda argumentou que, em sua decisão que capturou a relatoria do caso sobre as relações entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, o presidente da Corte, Edson Fachin, acabou reconhecendo que o ministro André Mendonça pode ser suspeito para julgar o feito.

“Ora, se existe essa possibilidade, hipoteticamente, e ela foi colocada por vossa excelência, me parece que julgar ou analisar o início, uma autorização de investigação, sem saber se a suspeição será ou não reconhecida, seria uma inversão lógica dos atos processuais”, argumentou.