A exploração de vacilos e gafes dos candidatos por seus opositores é natural e histórica nas campanhas presidenciais. No caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os episódios têm se avolumado e preocupado seu entorno, que já tenta limitar os discursos de improviso. A tarefa, contudo, é considerada, por esses mesmos interlocutores, ingrata, dada a experiência e liderança do petista.

Analistas ouvidos pela Gazeta do Povo alertam para o aumento dos episódios que afetam a credibilidade da comunicação do petista, além da preocupação com o desgaste físico diante do ritmo exigido pela campanha. Em menos de uma semana, a lista de deslizes do presidente chamou a atenção.

Só a sabatina na TV Globo, no fim de agosto, produziu — além do uso de informações e dados questionáveis, posteriormente rebatidos pela imprensa — três momentos que repercutiram pela inabilidade e falta de empatia do presidente.

O maior constrangimento se deu ao responder a uma pergunta sobre ajuste fiscal, quando Lula tentou ensinar a apresentadora Renata Vasconcellos a fazer a entrevista. Ela questionava o crescimento da dívida pública e cobrava as metas fiscais de um eventual quarto mandato. Lula contestou a forma como a pergunta havia sido formulada.