O julgamento marcado para a próxima terça-feira (15), para decidir se o ministro Alexandre de Moraes será investigado por causa de suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, testará novamente a credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF). Na visão de analistas e observadores consultados pela Gazeta do Povo, a imagem ruim da Corte poderá ser agravada ou atenuada a depender do resultado e da forma como ocorrerão as discussões entre os ministros sobre o caso envolvendo o colega.

Até o momento, o presidente do STF, Edson Fachin, ainda não divulgou como será exatamente o roteiro do julgamento. Os ministros vão se reunir para analisar a regularidade da elaboração e o conteúdo do relatório da Polícia Federal, divulgado pelo ministro André Mendonça, que detalha a relação de Moraes com Vorcaro.

No dia 1º de setembro, Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master, divulgou o documento, que comprovou que Moraes era o destinatário de mensagens, datadas do fim do ano passado, em que Vorcaro pedia orientações sobre como se livrar das investigações sobre as fraudes bilionárias. A PF descobriu que o ministro editou o contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório de advocacia de sua família; que Vorcaro o consultou sobre fugir do país e bloquear sua prisão, em novembro.

As mensagens ainda indicam que Vorcaro queria que Moraes atuasse junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para impedir o avanço das investigações sobre o Master, que, na época, estava sendo oferecido para investidores árabes. Nas mensagens, o banqueiro atualiza o ministro sobre o andamento das negociações com fundos estrangeiros.