O ministro Kassio Nunes Marques anunciou nesta terça-feira (15), no Supremo Tribunal Federal (STF), que não participará do julgamento envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Marques justificou a decisão para proteger a imagem do TSE, órgão que preside. Contudo, o recuo ocorre em meio a investigações sobre o Banco Master que citam o escritório de advocacia de seu filho, Kevin Marques.

Qual foi a justificativa oficial do ministro para se afastar do caso?

Oficialmente, Nunes Marques afirmou que precisava deixar o julgamento para blindar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de interferências políticas, especialmente por estarmos em período de eleições. Como ele é o atual presidente da corte eleitoral, argumentou que sua participação poderia gerar contaminações institucionais desnecessárias. No entanto, especialistas observam que o regimento não prevê um impedimento automático apenas por ocupar a presidência do TSE ou pela repercussão política da votação, o que levanta questionamentos sobre as reais motivações técnicas do recuo.

Como as investigações sobre o Banco Master influenciaram essa decisão?

Pouco antes da sessão, surgiram relatórios da Polícia Federal com dados obtidos no celular de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. As mensagens citavam negociações com o escritório de Kevin Marques, filho do ministro, mencionando valores de até R$ 500 mil mensais. Embora a defesa de Kevin negue irregularidades e afirme que os serviços foram estritamente tributários para outra empresa, o fato de ministros que defendem Moraes terem acesso à íntegra desses arquivos criou uma pressão direta sobre Nunes Marques, motivando o que interlocutores chamam de recuo estratégico.

De que maneira a saída de Nunes Marques altera o equilíbrio de forças no STF?

A ausência do ministro retira do plenário um voto que era considerado provável a favor das investigações contra Alexandre de Moraes. Com isso, o tribunal se dividiu de forma clara em dois blocos de três ministros cada. De um lado, Edson Fachin, Luiz Fux e André Mendonça querem avançar com as apurações para dar uma resposta à sociedade. Do outro, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin formam a ala que busca proteger a Corte, alegando que as provas são ilegais e que o processo tenta desestabilizar o Supremo Tribunal Federal, reduzindo o quórum para a maioria.