Em uma democracia, ninguém deveria ser indispensável. Governantes passam, partidos mudam de mãos e o eleitorado pode, em teoria, escolher alguém diferente para ocupar o poder a cada eleição. É a alternância de poder, característica fundamental em qualquer regime que busca se afastar do comportamento ditatorial. No Brasil, porém, há uma figura para quem a disputa presidencial parece nunca sair de cena: Luiz Inácio Lula da Silva. 

Desde a redemocratização, Lula disputou a Presidência em seis eleições das nove realizadas. O nome do petista estava presente nas disputas de 1989, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2022. Em 2010, Lula não pôde se candidatar por uma limitação constitucional que veda um terceiro mandato consecutivo — e foi a única vez em que ele não cogitou participar da disputa. 

Mas não faltou vontade de estender a permanência de Lula no Planalto por um terceiro período seguido. Pelo menos dois deputados fermentaram essa ideia e tentaram, por meio de uma PEC, mudar a Constituição para autorizar, via plebiscito, a possibilidade de uma segunda reeleição consecutiva.

Em 2014, após o primeiro governo de Dilma Rousseff, o petista abriu mão — a contragosto — da disputa em favor da companheira de legenda. Durante o período em que esteve preso, Lula deu entrevistas nas quais admitiu ter sido um erro não assumir que seria candidato naquela eleição.