O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino acolheu uma provocação da organização Transparência Internacional e determinou que a União reavalie regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que, segundo ele, criaram brechas para estruturas financeiras opacas. A decisão deste domingo (20) se apoia, entre outros documentos, nas conclusões do grupo de trabalho criado pela própria autarquia para analisar o caso Master.

Dino atribuiu a uma resolução de 2022 a abertura para estruturas sucessivas em que fundos de investimento aplicam recursos em outros fundos semelhantes. A possibilidade, porém, já existia havia anos. No caso dos fundos de direitos creditórios, a CVM previa desde 2001 os chamados FIC-FIDCs, criados justamente para investir em cotas de outros FIDCs. A norma de 2022 ampliou essa modalidade, mas não criou o mecanismo.

A resolução foi aprovada pelo colegiado da CVM em dezembro de 2022, ainda durante o governo Jair Bolsonaro (PL). A autarquia era presidida por João Pedro Barroso do Nascimento, indicado por Bolsonaro e aprovado pelo Senado.

Segundo o ministro, a resolução passou a “admitir, de forma expressa, o investimento de fundos estruturados em cotas de outros fundos com características semelhantes, viabilizando a constituição de estruturas sucessivas de investimento sem limitação quantitativa máxima”.